Informação para você ler, ouvir, assistir, dialogar e compartilhar!
Tenha acesso ilimitado
por R$0,30/dia!
(no plano anual de R$ 99,90)
R$ 0,30/DIA ASSINAR
No plano anual de R$ 99,90

Americanos aumentam pressão sobre Israel

Mal-estar. Tensão entre EUA e governo de Bibi ofusca visita de Lula à região

Gustavo Chacra, O Estadao de S.Paulo

17 de março de 2010 | 00h00

CORRESPONDENTE / NOVA YORK

A crise entre os EUA e Israel agravou-se ainda mais ontem, o que, juntamente com os conflitos em Jerusalém Oriental, ofuscou a visita do presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, ao Oriente Médio. Trata-se de um dos piores momentos de tensão diplomática envolvendo Washington e Israel em décadas. O enviado especial americano ao Oriente Médio, George Mitchell, cancelou uma viagem para a região até que Israel volte atrás na decisão de continuar a construir casas em Jerusalém Oriental.

À tarde, a secretária de Estado, Hillary Clinton, disse que Israel precisa provar que "está comprometido com o processo de paz", apesar de evitar confirmar a crise bilateral. "Temos um compromisso com a segurança de Israel. A nossa ligação continua forte", afirmou a chefe da diplomacia americana, que na semana passada teria discutido em uma ligação telefônica com o primeiro-ministro israelense, Binyamin "Bibi" Netanyahu.

Os governos de Barack Obama e de Netanyahu nunca foram próximos como administrações americanas e israelenses no passado. O anúncio de Israel, na semana passada, de que levará adiante a construção de 1.600 novas casas em Jerusalém Oriental ? reivindicada pelos palestinos ? agravou ainda mais a relação.

O anúncio irritou o governo Obama por ir contra a demanda do presidente americano de congelamento na expansão dos assentamentos judaicos, além de ter sido feito durante visita do vice-presidente Joe Biden e no dia seguinte ao relançamento de negociações entre israelenses e palestinos, já suspensas.

Em uma conversa com Bibi, Hillary teria exigido que o premiê israelense revertesse a decisão de construir as novas casas e se comprometesse em discutir com os palestinos temas delicados como o status de Jerusalém, segundo jornais americanos e israelenses.

O porta-voz do Departamento de Estado, P. J. Crowley, acrescentou que os americanos esperam "ter uma resposta israelense em breve" sobre as demandas de Hillary. O premiê deve viajar para Washington no domingo para discursar na Aipac (lobby conservador pró-Israel nos EUA).

Em Jerusalém, Netanyahu disse em comunicado que seu governo "provou no último ano que está comprometido com a paz por meio de palavras e de ações". Ao mesmo tempo, ele insistiu na construção das residências em qualquer parte de Jerusalém ? na sua avaliação, o congelamento só inclui os assentamentos na Cisjordânia.

A comunidade judaica americana dividiu-se entre os que estão ao lado de Obama e os a favor de Netanyahu. A Aipac afirmou que as declarações da "administração Obama sobre as relações dos EUA com Israel preocupam" e o governo deve agir imediatamente "para reduzir a tensão". Já a liberal J-Street defendeu a dureza do governo de Obama em relação a Israel. O Wall Street Journal, mais conservador, criticou o presidente, enquanto o liberal The New York Times fez uma defesa da política americana para Israel.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.