Americanos comuns buscam "culpados" na vizinhança

As lágrimas tomam os olhos de Mohammad Kasmaei quando ele fala sobre as mensagens gravadas na secretária eletrônica de seu restaurante, o Ali Baba, em Anaheim Califórnia. "Você não pode ficar nos EUA", diz uma das gravações, enquanto em outra, a pessoa simplesmente disparou uma série de palavrões. "Sou um cidadão americano", diz Kasmaei, de origem iraniana com a voz embargada. "Eu sinto muito pelo que aconteceu".Enquanto Kasmaei afirma sentir-se profundamente triste pelas vítimas do ataque terrorista de terça-feira, ele e outros muçulmanos e pessoas com origem no Oriente Médio estão sendo cada vez mais ameaçados por americanos comuns que buscam alguém para culpar. Uma mesquita em Denton, Texas, foi atacada com bombas caseiras; outra, localizada em Lynnwood, Washington, foi pichada com tinta preta. Em Bridgeview, Illinois, a polícia barrou cerca de 300 pessoas que pretendiam marchar até uma mesquita. Em Laramie, Wyoming, uma mulher e seus filhos foram expulsos de uma loja Wal-Mart por consumidores irados. "As pessoas que gritavam em seu rosto queriam que ela voltasse para o país dela", afirmou Khaled Ksaibati, conselheiro da Associação de Estudantes Muçulmanos da Universidade de Wyoming. "Este é o país dela. Ela nasceu aqui". Um dia depois dos ataques terroristas, na mesma cidade de Kasmaei, três menores usaram seus skates para quebrar as janelas de vidro de uma loja árabe.A polícia pegou os jovens infratores e os pais foram obrigados a pedir desculpas públicas. Para Renee Ramel, de 15 anos, natural da cidade de Berlin, Connecticut, os tempos estão difíceis para se fazer novos amigos. "Eu tenho medo de dizer às pessoas que sou muçulmana". Líderes políticos de todo o país conclamam as pessoas a não culparem americanos inocentes pela tragédia de terça-feira, mas muitas vezes tais apelos são ignorados. "Nós não devemos considerar uma pessoa muçulmana responsável pelo terror", disse ontem o presidente dos EUA, George W. Bush.

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