Americanos continuam reticentes sobre ataque ao Iraque

A Casa Branca e o Congresso estão caminhando em direção a uma guerra contra o Iraque num momento em que os povo norte-americano parece não estar seguro sobre como reagir à idéia. O público apóia o presidente George W. Bush na luta contra o terrorismo e quer ver o presidente iraquiano Saddam Hussein afastado do poder, sugerem pesquisas. Mas eles não concordam com que os EUA ajam contra o Iraque sem o apoio de aliados.O candidato republicano ao Senado Norm Coleman disse, fazendo campanha em Minnesota, que os eleitores fizeram muitas perguntas sobre o Iraque. "Acho que as pessoas estão preocupadas, eles sabem que Saddam é uma ameaça", disse Coleman. "Mas não acho que exista um claro consenso de como deveríamos fazer isso".Cerca de 64% dos norte-americanos expressaram em pesquisas recentes apoio a uma ação militar para derrubar o presidente iraquiano. O apoio é ainda maior se são perguntados como sentiriam se os EUA conseguissem o suporte dos aliados, mas cai para 33% quando questionados se estavam dispostos a agir sem o apoio dos aliados. "O público apóia firmemente o presidente", disse Thomas Mann um analista político da Brookings Institution. "Mas eles estão muito preocupados em relação a um ataque militar e o que ele poderia causar. Eles querem se sentir seguros, vendo o resto do mundo conosco".Bush diz querer o apoio aliado, mas insiste em que os EUA agirão sozinhos se necessário, citando a ameaça do suposto desenvolvimento de armas de destruição em massa pelo Iraque. Coleman acredita que o apoio aliado - e do público - aumentará uma vez que o Congresso aprove uma resolução autorizando o uso da força.Mesmo os republicanos parecem receosos com uma ação unilateral - o apoio deles a uma guerra cai de 77% para 43% no caso de não haver participação de aliados, segundo pesquisa do Pew Research Center para o The People & the Press. Quase metade dos democratas apóia uma ação militar, mas o apoio cai para 13% sem o respaldo dos aliados. "Na guerra contra o terrorismo há um consenso", disse Robert Shapiro, um cientista político na universidade Columbia especialista em pesquisas de opinião. "Estamos nos defendendo".Políticos liderando uma agressiva campanha contra o Iraque esperam conquistar com o tempo a opinião pública, afirmam analistas. Mas assumir esta postura antes de uma eleição é incomum. Alguns líderes democratas têm expressado apoio à posição de Bush, apesar de dizerem que é preferível contar com o respaldo dos aliados. Outros congressistas democratas preocupam-se com uma ação preventiva.Quando o ex-vice-presidente Al Gore levantou esta semana fortes preocupações sobre a forma como o governo Bush está conduzindo a política de segurança, ele tomou uma posição que alguns democratas estavam hesitantes em assumir publicamente. Gore acusou a administração de "atacar as liberdades civis" e ignorar sinais de que Osama bin Laden estava planejando um ataque terrorista em solo norte-americano."Ele está servindo a seus próprios interesses em detrimento dos interesses do país e de seu próprio partido", rebateu o republicano Rich Galen. Gore, o candidato democrata derrotado por Bush em 2000, considera concorrer novamente em 2004. Outros dizem que o discurso de Gore ajudou a provocar um debate que no geral faltava na atmosfera pré-eleitoral em Washington. "O discurso de Gore foi mais fiel ao sentimento da maioria dos americanos do que qualquer coisa que tenha sido dita pela administração ou o Congresso", disse Mann.Congressistas democratas temem ser rotulados de brandos em relação à defesa e perderem espaço em disputadas eleições nos Estados. Democratas pensando em concorrer para a Casa Branca em 2004 têm de tomar cuidado para não assumirem posições sobre o Iraque que poderiam persegui-los posteriormente. Alguns ainda não se recuperaram de votos dados há uma década antes da Guerra do Golfo. Gore votou pelo uso da força uma década atrás enquanto outros votaram contra, dizendo que era preciso dar mais tempo à situação.

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