Callaghan O'Hare/NYT
Callaghan O'Hare/NYT

Americanos driblam regras em busca de 4ª ou 5ª doses da vacina

Autoridades sanitárias dos EUA vêm agindo muito lentamente para proteger os mais vulneráveis, acreditam alguns médicos

Amanda Morris, The New York Times, O Estado de S.Paulo

04 de janeiro de 2022 | 05h00

NOVA YORK - Stacey Ricks pode escolher entre três cartões de vacinação. Aos 49 anos, ela acaba de receber um rim, toma medicação imunossupressora e não desenvolveu anticorpos após as duas primeiras doses da Moderna. Em junho, tomou a vacina da Johnson & Johnson. Para Stacey obter a quarta e a quinta dose foi mais complicado. Em julho, armada com um atestado médico explicando que não havia desenvolvido anticorpos, ela convenceu um farmacêutico de Houston a lhe aplicar mais duas doses da Pfizer.

Stacey é uma das muitas pessoas com sistema imunológico comprometido que driblou as diretrizes do governo dos EUA e recebeu uma quarta ou quinta dose não autorizada. Muitos médicos acham que as autoridades sanitárias americanas vêm agindo muito lentamente para proteger os mais vulneráveis, aumentando a preocupação de quem tem o sistema imunológico comprometido. 

Nos EUA, os médicos podem prescrever medicamentos aprovados fora de seu uso recomendado – como a vacina da Pfizer. Mas, para receber mais um dose, é preciso assinar um documento assumindo o risco. Portanto, quem toma doses a mais não está fazendo nada ilegal. Estas pessoas podem enfrentar uma ação civil, caso os laboratórios decidam processá-las por mentir, mas isso é improvável, segundo Govind Persad, professor de direito da Universidade de Denver.

Obter doses extras pode funcionar para alguns – até certo ponto. Após a quinta dose, Stacey desenvolveu uma resposta “moderada” de anticorpos, mas ainda longe do ideal. Por isso, ela vive como se não tivesse sido vacinada. Muitos pesquisadores, porém, dizem que algumas pessoas com problemas imunológicos podem nunca obter anticorpos, não importa quantas doses recebam.

Estima-se que haja 7 milhões de indivíduos imunocomprometidos nos EUA, mas é difícil saber quem se beneficiaria com doses adicionais, disse Robert Wachter, chefe do Departamento de Medicina da Universidade da Califórnia. Chris Neblett, de 44 anos, que também recebeu um rim e toma imunossupressores, só obteve uma resposta de seu sistema imunológico após a quarta dose da Pfizer, em novembro. “Claro que estou driblando as regras”, disse. “Mas qual a consequência? Nenhuma.” 

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