Katherine Taylor/The New York Times
Katherine Taylor/The New York Times

Americanos lideram lista de consumidores de opioides

Entre 2013 e 2015, cada grupo de 1 milhão de americanos consumiu 47,58 mil doses de opioides por dia; cifra foi quatro vezes maior que a registrada na Inglaterra

Cláudia Trevisan, Correspondente / Washington , O Estado de S.Paulo

26 Outubro 2017 | 21h55

Os EUA têm um problema de abuso na prescrição de remédios para dor. Com 4,4% da população mundial, o país consome cerca de 30% dos medicamentos à base de opioides vendidos no planeta e existe o temor de que o combate a seu uso afete o acesso aos analgésicos por quem realmente precisa. 

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“Quando os EUA promoveram a guerra às drogas, muitas das mensagens deixaram as pessoas com medo dos opioides, pelo temor de se tornarem dependentes”, disse Meg O’Brien, diretora para tratamento global de câncer da American Cancer Society (ACS). Regras adotadas pelos americanos também têm efeitos colaterais não antecipados sobre o acesso a medicamentos em outras regiões. 

Segundo ela, países de baixa e média renda recebem apenas 7% dos remédios à base de opioides no mundo. Isso significa que muitos que necessitam de medicamentos para dor não têm acesso a eles, enquanto habitantes de países desenvolvidos consomem mais do que deveriam. 

No caso dos EUA, isso leva à dependência de remédios e ao uso de heroína, quando há dificuldades na obtenção de receitas para comprá-los. O’Brien defende que haja um equilíbrio entre controle e garantia de acesso a medicamentos para dor pelos que realmente necessitam dos analgésicos, como pacientes de câncer. “A morfina é considerada um medicamento essencial pela OMS”, observou.

Entre 2013 e 2015, cada grupo de 1 milhão de americanos consumiu 47,58 mil doses de opioides por dia. O segundo lugar foi do Canadá, com 34,44 mil doses. A cifra americana foi quatro vezes maior que a registrada na Inglaterra.

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