Americanos querem libertar Morsi e aliados

Os dois senadores americanos enviados ao Egito para tentar mediar uma solução política para a crise provocada pela deposição do presidente Mohamed Morsi, no início de julho, pressionaram ontem o Exército do país a libertar prisioneiros políticos e começar um diálogo de conciliação com a Irmandade Muçulmana, base política, islamista, do líder destituído.

CAIRO, O Estado de S.Paulo

07 de agosto de 2013 | 02h06

Os republicanos John McCain e Lindsey Graham, ambos da Comissão de Assuntos Exteriores, consideraram golpe a destituição de Morsi - o que a Casa Branca hesita em fazer, pois essa qualificação implicaria na revisão da bilionária ajuda americana ao Egito.

Os parlamentares se reuniram com o comandante do Exército egípcio, o general Abdul Fatah al-Sisi, o vice-presidente interino, Mohamed ElBaradei, e o premiê, Hazem al-Beblaui. No encontro, os americanos pediram a libertação de líderes da Irmandade Muçulmana presos após o golpe, além do próprio Morsi - que foi acusado de homicídio, sequestro, conspiração e espionagem.

"As pessoas que estão no poder não foram eleitas. Os que foram eleitos estão na cadeia", criticou Graham. "A situação é inaceitável. Se você acha que pode restaurar a legitimidade com violência, você está errado. Violência apenas marginaliza as suas ações. É um grande erro pensar que pode negociar com as pessoas na cadeia."

O porta-voz do governo interino Sherief Shawki, discordou dos senadores. "Existe um roteiro (para a convocação de eleições), o que mostra que o que ocorreu não foi um golpe", argumentou. "O povo egípcio que escolheu essa rota. Não queremos que uma intervenção estrangeira nos seja imposta."

Milhares de partidários da Irmandade vêm protestando em dois acampamentos no Cairo, em que mantêm uma vigília constante, desde a destituição de Morsi, pela volta ao poder do islamista - o primeiro presidente eleito pelo voto popular na história do egito. "Todas as partes envolvidas devem engajar-se num diálogo nacional de reconciliação e renunciar à violência", disse McCain. / REUTERS

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