Guillermo Arias/AFP
Guillermo Arias/AFP

Americanos são barrados na fronteira com o México

Mexicanos bloqueiam estradas por medo do avanço da pandemia na Califórnia e no Arizona

Redação, O Estado de S.Paulo

09 de julho de 2020 | 04h00

A pandemia de coronavírus vem provocando cenas que até bem pouco tempo eram difíceis de imaginar. Desde o início da semana, moradores de cidades mexicanas na fronteira com os Estados Unidos montaram barricadas para impedir a entrada de americanos – a passagem é permitida apenas em caso de viagens essenciais. 

O medo dos mexicanos tem explicação. Embora o vírus venha castigando o México, que registra uma média de 6 mil novos casos por dia, a pandemia parece muito mais fora de controle ao norte da fronteira, especialmente nos Estados da Califórnia, que vem relatando 9 mil contaminações diárias, e do Arizona, que vem notificando 3,5 mil infecções todos os dias. 

As praias de Sonora e Baixa Califórnia, no México, são muito procuradas por turistas americanos no verão – especialmente no feriado do Dia da Independência, em 4 de julho. Apenas 350 quilômetros separam a cidade de Phoenix, no Arizona, de Puerto Peñasco, balneário no Estado mexicano de Sonora. 

No fim de semana, moradores de Sonoyta, cidade mexicana que faz fronteira com o Arizona, utilizaram os seus próprios carros para bloquear a estrada até Puerto Peñasco. “Pedimos aos turistas americanos que não visitem o México”, disse o prefeito de Sonoyta, José Ramos Arzate. “Temos de proteger a saúde da nossa comunidade diante da taxa acelerada de contágio no Arizona.”

Em Mexicali, cidade mexicana de um milhão de habitantes na fronteira com os EUA, moradores também montaram barricadas com veículos para impedir o acesso às praias de San Felipe, no Golfo da Califórnia. Os bloqueios no fim de semana causaram engarrafamentos de mais de oito horas na região. Segundo autoridades locais, a polícia mexicana apreendeu mais de duas mil latas de cerveja.

As barreiras foram incentivadas pelas autoridades mexicanas. Na semana passada, o secretário de Saúde de Sonora, Enrique Clausen, alertou para o perigo de manter a fronteira aberta. “A entrada de americanos só deve ser permitida em casos especiais, de trabalho ou negócios”, disse. 

A fronteira oeste também é um dos principais pontos de entrada de drogas nos EUA – e as restrições vêm afetando as receitas dos cartéis. “Antes da pandemia, a região era conhecida como ‘corredor da cocaína’. Agora, está sendo chamada de ‘corredor da covid’”, disse Gonzalo Gerardo, chefe de polícia do condado de Calexico, na Califórnia. / NYT e AFP

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