REUTERS/Andrew Kelly
REUTERS/Andrew Kelly

Eleições nos EUA: americanos vão às urnas para votação de meio de mandato

Sessões eleitorais no leste do país abriram às 6 horas (9 horas, em Brasília) com o prognóstico de que a participação será alta; votação legislativa é vista como um referendo sobre a presidência de Donald Trump, que pode perder a maioria no Congresso

O Estado de S.Paulo

06 Novembro 2018 | 10h07

WASHINGTON - Nesta terça-feira, 6, ocorrem nos EUA as eleições 2018 de meio de mandato, com um país dividido que vê a votação como um referendo sobre a presidência de Donald Trump, que pode perder a maioria no Congresso.

Com os prognósticos de que a participação será alta, a expectativa era elevada antes da abertura das sessões eleitorais às 6 horas (9 horas no horário de Brasília) no leste  do país.

O nome de Trump não aparece nas cédulas de votação, mas há semanas ele tem reiterado que essa eleição se trata de um referendo sobre a sua presidência.

Diante do risco de que um avanço dos democratas no Congresso atrapalhe seu programa de governo, Trump empreendeu neste final de campanha uma maratona por três Estados, que terminou com um encontro em Cape Girardeau, no Missouri, onde ele afirmou que "a agenda republicana é o sonho americano".

"A segurança e a prosperidade estão em jogo nesta eleição", afirmou neste último ato, acompanhado de sua filha Ivanka.

A campanha foi marcada por violentos acontecimentos: o envio de pacotes com explosivos a importantes líderes opositores e o massacre em uma sinagoga em Pittsburgh, onde 11 pessoas morreram. A polarização da sociedade chegou a patamares nunca vistos e, quando o presidente foi prestar homenagem às vítimas, uma manifestação com cerca de 1.000 pessoas foi a seu encontro

"Melhor economia da história"

Para os democratas, esta é uma oportunidade de frear o poder de um presidente que acusam de provocações racistas e de atiçar as divisões na sociedade para ganhar votos. 

Para Entender

Como funcionam as eleições de meio de mandato nos Estados Unidos

Cidadãos americanos votaram no dia 6 de novembro para eleger representantes no Legislativo, governadores e opinar sobre questões locais

Há quase dois anos no governo desde a sua surpreendente vitória em 2016, o caótico e imprevisível Trump tem contado com a maioria na Câmara e no Senado, mas nesta eleição de meio mandato o equilíbrio de poderes no Congresso pode mudar.

Em uma reportagem exibida na segunda-feira pela Fox News, Trump disse que os Estados Unidos "têm a melhor economia de sua história e que a esperança finalmente voltou às cidades" do país. 

Nessas eleições estão em jogo todos os 435 assentos da Câmara, 35 cadeiras do Senado, 36 governos de Estados americanos, além de vários cargos locais, como prefeitos, juízes e xerifes

Nas primeiras eleições de meio mandato, os presidentes costumam perder espaço no Congresso, mas Trump, que durante seu governo levou o desemprego a um mínimo de 3,7%, pode romper este precedente.

Para consternação de muitos de seus correligionários republicanos, na última semana Trump - em vez de destacar suas conquistas - preferiu se concentrar em um duro discurso - que alguns classificam de racista - no qual denunciou a imigração ilegal como uma "invasão".

Dias antes da votação, Trump enviou mais de 4.800 soldados à fronteira com o México e sugeriu que caso os migrantes centro-americanos que marchavam em caravanas para os Estados Unidos atirassem pedras nos agentes, eles poderiam responder com tiros. Depois o presidente se retratou

Participação nas urnas

A grande incógnita, que será determinante para os resultados, será a participação, que nas eleições de meio mandato costuma ser baixa. Em 2014, ela foi de 41,9%.

Um indício do interesse gerado por essas eleições é que mais de 30 milhões de votos antecipados já haviam sido emitidos nos Estados que permitem esta modalidade, em comparação aos 22 milhões da votação de quatro anos atrás.

"As eleições de amanhã (hoje) podem ser as mais importantes de nossas vidas", disse na noite de segunda-feira o ex-presidente democrata Barack Obama, que durante o final de semana fez campanha em Indiana.

Em meio à expectativa, as agências de inteligência e segurança emitiram um alerta diante da ameaça de ingerências externas, assegurando que até agora não havia nenhum indício de que a infraestrutura eleitoral tenha sido comprometida.

Eleitorado latino

Essas eleições também marcam a estreia de novos rostos que chegaram como grandes promessas no cenário político. Uma delas é a nova-iorquina Alexandria Ocasio-Cortez, que depois de se impor surpreendentemente nas primárias democratas em setembro no distrito do Bronx e do Queens, agora se encaminha para tornar-se a mulher mais jovem a ser eleita para a Câmara dos Deputados. 

Quando ela derrotou o veterano Joe Crowley, a jovem de origem porto-riquenha deixou todos boquiabertos. Agora esta latina, que se define como socialista, se transformou no símbolo de uma onda de mulheres democratas pertencentes a minorias que estão revolucionando a elite do partido.

Nessas eleições, a comunidade latina, que constitui a maior minoria do país, com 59 milhões de pessoas, poderá bater recordes de representação. 

A dúvida é como esse voto, de cerca de 29 milhões de pessoas, se comporta diante da retórica contra a imigração de Trump. Nas eleições de 2016, ele foi apoiado por 30% do eleitorado latino. / AFP

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