Amigo de Kirchner destruiu provas, diz deputada

Opositora Elisa Carrió acusa empresário ligado a Cristina de se desfazer de documentos que comprovariam escândalo de corrupção no governo

ARIEL PALACIOS , CORRESPONDENTE / BUENOS AIRES , O Estado de S.Paulo

23 de maio de 2013 | 02h03

A deputada Elisa Carrió, líder da Coalizão Cívica, de oposição, apresentou ontem uma denúncia ao promotor federal Guillermo Marijuán na qual acusa o empresário kirchnerista Lázaro Báez - investigado por lavagem de dinheiro - de ter destruído um cofre onde escondia documentos comprometedores.

Segundo Carrió, Báez - amigo do ex-presidente Néstor Kirchner e da presidente Cristina - tinha construído uma caixa-forte no subsolo de Laquinta, fazenda localizada a 100 quilômetros de Río Gallegos, capital da Província de Santa Cruz, feudo político do casal Kirchner.

Carrió afirma que no cofre, além de documentos, também estavam guardadas armas e grande quantidade de dinheiro. Como prova, a deputada exibiu dezenas de fotos que mostram a fazenda de Báez, uma caminhonete com a carga removida e uma estante com garrafas de vinhos que servia de camuflagem para a entrada da sala onde estava o cofre.

A deputada também pediu proteção policial para Sergio Triviño, técnico que desmontou a caixa-forte e fotografou a tarefa com a câmera de seu celular. Segundo Carrió, Triviño, que passou a ser testemunha de um dos maiores escândalos de corrupção do governo, corre o risco de ser assassinado.

Ontem, o juiz Sebastián Casanello ordenou a proteção às testemunhas, mas não aceitou as provas de Carrió. O juiz afirmou que o caso não se adequa às investigações realizadas em Buenos Aires e remeteu o caso à justiça federal em Río Gallegos. A decisão foi criticada pelos líderes da oposição, que alegam que a Justiça na província é "obediente" a Cristina.

Na terça-feira, pouco depois das revelações de Carrió, Báez exibiu sua fazenda a um grupo de jornalistas e mostrou o subsolo. Ele garantiu que não existia uma caixa-forte. "É uma fantasia de Carrió", disse.

Em abril, Báez tornou-se o principal personagem do escândalo quando o programa Jornalismo para Todos, do canal Trece, divulgou uma câmera oculta na qual um financista, Leonardo Fariña, revelava operações de lavagem de dinheiro que o empresário realizava com a cumplicidade do ex-presidente Kirchner, morto em 2010.

Nas semanas seguintes, surgiram novas denúncias, feitas por Miriam Quiroga, ex-secretária de Kirchner. Ela disse que viu sacolas de dinheiro sendo entregues por empresários, na Casa Rosada, a Daniel Muñoz, secretário pessoal do então presidente. Depois, perante o juiz, ela alterou seu depoimento e disse que havia vistos apenas o lado de fora das sacolas, sem olhar dentro.

No entanto, os depoimentos foram suficientes para que Muñoz fosse indiciado pelo promotor federal Ramiro Gonzáles, na terça-feira. A promotoria pretende investigar todos os voos que o ex-secretário realizou dentro e fora da Argentina.

Vice. O vice-presidente do país, Amado Boudou, foi indiciado ontem por vínculos irregulares com a consultoria Arcádia, que participou da reestruturação da dívida pública argentina em 2010.

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