AFP PHOTO / POLICE NATIONALE
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Amigo de Salah Abdeslam que o ajudou a fugir ficará mais um mês preso na Bélgica

Ali Oulkadi, de 31 anos, é acusado de participação em organização terrorista; para ministro da Justiça da Bélgica, Koen Geens, Abdeslam estaria recebendo ajuda para fugir das autoridades

O Estado de S. Paulo

27 de novembro de 2015 | 11h03

(Atualizada às 17h30) BRUXELAS - O francês Salah Abdeslam, o homem mais procurado na Europa, parou em um café em Bruxelas no dia seguinte aos ataques Paris e conversou com um de seus amigos de infância, Ali Oulkadi, de 31 anos, que o ajudou a fugir para outra cidade, afirmou o advogado de Oulkadi. Nesta sexta-feira, 27, um tribunal belga decidiu manter Oulkadi, que é acusado de assassinatos terroristas e participação em uma organização terrorista, detido por mais um mês.

Abdeslam, de 26 anos, é procurado por seu envolvimento ativo nos atentados do dia 13 de novembro em Paris, que mataram 130 pessoas. Duas semanas após o massacre em vários locais de Paris, Abdeslam, que junto com seu irmão Brahim tinha alugado três carros que foram utilizados nos ataques, ainda está foragido, apesar de operações policiais frequentes e um bloqueio de quatro dias sem precedentes em Bruxelas.

Das seis pessoas detidas Bélgica até o momento que possuem ligações com os ataques, três eram acusadas de ajudar Abdeslam a fugir. Hamza Attou e Mohammed Amri, presos dois dias depois dos ataques, admitiram ter dirigido um veículo que levou Abdeslam de Paris na noite dos ataques, deixando o foragido em Laeken, um distrito no norte de Bruxelas. Eles negam envolvimento nos ataques de Paris.

Oulkadi, que foi preso na semana passada, testemunhou que também levou Abdeslam de um lado para outro em Bruxelas no dia seguinte aos atentados, disse seu advogado. Ele teria recebido uma ligação de um amigo no dia 14 de novembro, dizendo que precisava de uma carona para outro amigo.

"Meu cliente não sabia que ele estava indo buscar Abdeslam", disse o advogado Olivier Martins, que se recusou a identificar o amigo que fez a ligação para Oulkadi e a esclarecer se ele também entrou no carro.

Oulkadi, assim como os irmãos de Abdeslam, é um cidadão francês de origem marroquina que cresceu e ainda vive no bairro predominantemente muçulmano de Molenbeek, em Bruxelas. Ele tem da mesma idade que Brahim Abdeslam, mas seu advogado insiste que ele não se radicalizou, não tem antecedentes criminais e "vive uma vida normal com sua esposa e dois filhos".

Martins disse que Oulkadi dirigiu seu próprio carro, um Golf, de Laeken, perto do metrô Bockstael, onde se encontrou com o amigo que fez a chamada e uma pessoa que não reconheceu a princípio, porque ele estava usando um boné. "Só quando ele (Abdeslam) entrou no carro e começou a falar que Oulkadi percebeu quem era", disse o advogado.

Ele ressaltou que, naquela época, por volta de 13h no sábado depois dos ataques, a busca por Abdeslam ainda iria começar - promotores franceses e belgas divulgaram seu nome e foto apenas no dia 15 de novembro.

Durante o tempo que ficaram juntos, Abdeslam disse a Oulkadi que ele tinha ido para Paris junto com seu irmão Brahim, que detonou explosivos em seu corpo, matando diversas pessoas. "Salah estava particularmente nervoso", disse o advogado. "Meu cliente estava em choque. Brahim foi um dos seus melhores amigos, eles cresceram juntos."

Martins também representou Brahim Abdeslam em 2010, quando ele foi acusado de roubo e fraude, mas foi libertado sem uma sentença de prisão. O advogado disse ainda que Oulkadi "não conseguia pensar direito". "Eles discutiram, mas meu cliente estava em choque depois que descobriu que seu amigo tinha morrido". Após uma breve parada num café, Oulkadi concordou em conduzir Abdeslam a um bairro próximo, Schaerbeek.

Martins disse que Oulkadi não sabia o endereço e estava apenas seguindo as instruções de condução de Abdeslam. De acordo com o advogado, Oulkadi não foi à polícia "porque ele entrou em pânico e porque ouviu alguns amigos que lhe dizerem para não ir à polícia porque ele também seria incriminado". Oulkadi foi preso em sua casa oito dias depois, em 22 de novembro. 

Mais ajuda. Também nesta sexta, o ministro da Justiça da Bélgica, Koen Geens, disse que o foragido Abdeslam "provavelmente" está recebendo ajuda para fugir das autoridades. Após quase duas semanas de buscas, Geens afirmou que é improvável que Abdeslam tenha conseguido se esconder por tanto tempo estando sozinho.

"Se alguém foge por conta própria, é pego rapidamente; é mais difícil encontrar alguém que não está sozinho", disse à rede VTM após o encontro do Conselho Nacional de Segurança na quinta-feira. Segundo Geens, é óbvio que Abdeslam fazia parte de uma rede maior. "É claro que era uma célula que operava com logística e apoio de um certo número de pessoas."

Segurança. Na quinta-feira, a Bélgica reduziu o nível de ameaça à segurança em Bruxelas, terminando com seis dias de alerta máximo, mas o primeiro-ministro advertiu que o risco de um ataque similar ao de Paris permanece sério.

"Permanecemos em guarda", afirmou Charles Michel em entrevista coletiva. “A situação é séria, mas, de acordo com indicações dos serviços de segurança, não tão iminente quanto antes.”

Policiais e militares continuarão nas ruas, embora possivelmente em menor número. O metrô, reaberto parcialmente, assim como as escolas na quarta-feira, depois de quatro dias parado, está funcionando normalmente nesta sexta-feira. A situação de eventos que reúnem muitas pessoas, como eventos esportivos, será reavaliada caso a caso, completou Michel.

Ele não quis dizer o que levou a agência independente de segurança a reduzir a sua recomendação do nível máximo 4 para o nível 3, alinhando a capital ao resto do país. Segundo ministros, Salah Abdeslam, 26 anos, pode estar planejando mais violência. /ASSOCIATED PRESS e REUTERS

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