Amigo liga Berlusconi a prostitutas

Empresário confirma que usou mulheres, entre elas brasileiras, para obter contratos com o governo italiano

AP e AFP, ROMA, O Estadao de S.Paulo

10 de setembro de 2009 | 00h00

O empresário Gianpaolo Tarantini, amigo do primeiro-ministro da Itália, Silvio Berlusconi, admitiu em depoimento à promotoria da cidade de Bari, no sul do país, ter pagado 1 mil para prostitutas terem relações sexuais com o premiê italiano.

Tarantini disse ainda que, entre setembro de 2008 e janeiro deste ano, apresentou cerca de 30 mulheres para Berlusconi e organizou 18 festas para o premiê, todas regadas a cocaína.

Entre as prostitutas, há algumas atrizes, apresentadoras de TV, ex-participantes de reality shows e "algumas brasileiras", segundo ele - a única citada nominalmente pela imprensa italiana foi Camilla Cordeiro Charão.

"Prostituição e cocaína são os ingredientes para se obter sucesso na sociedade italiana", disse o empresário, que acrescentou que Berlusconi não sabia que as mulheres eram pagas e não deu detalhes sobre quem usava a droga durante as festas.

Transcrições do depoimento do empresário foram publicadas ontem pelos jornais italianos Corriere della Sera e La Stampa. Tarantini foi interrogado entre os dias 27 e 31 de julho como parte de uma investigação sobre corrupção, tráfico de drogas e prostituição.

O conteúdo de seu depoimento é parecido com o que a polícia havia obtido em gravações telefônicas. Tarantini apenas confirmou as informações para não ser preso.

Tarantini, 36 anos, é conhecido na Itália como "Rei das Próteses". Ele confessou que usou as mulheres para se aproximar de autoridades do governo italiano e obter em troca contratos oficiais para a compra de próteses e mesas de cirurgia.

Segundo ele, as mulheres eram convidadas para as festas e tinham todas as despesas pagas. No fim da noite, algumas seguiam para um hotel, mas as que ficavam na casa de Berlusconi levavam 1 mil.

Pelo menos uma mulher, Patrizia D"Addario, admitiu ter recebido dinheiro em troca de sexo com o premiê. Após a noite com Berlusconi, segundo Patrizia, ela teria pedido que o premiê mandasse alguém liberar uma licença para a construção de um imóvel em Bari.

"Em vez disso, ele me ofereceu um posto no Parlamento Europeu", disse Patrizia. Contrariada, ela deu entrevistas a um jornal francês contando suas passagens pelo Palazzo Grazioli, residência de Berlusconi em Roma.

"Para mim, era óbvio que todas as meninas que estavam nas festas eram garotas de programa. A certa altura, Berlusconi perguntou a elas se queriam trabalhar na televisão, entrar para a política ou participar do Grande Fratello (o Big Brother italiano)" disse Patrizia, que confidenciou também que o premiê não usou preservativos.

Berlusconi reconheceu ontem sua queda por "mulheres bonitas", mas afirmou que sua popularidade não caiu, apesar dos ataques contra ele. No entanto, pesquisas recentes mostram uma queda no índice de aprovação do premiê, principalmente entre os católicos.

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