Mike Spencer/The Star-News via AP
Mike Spencer/The Star-News via AP

Amigo reconhece que mentiu e americano tem perpétua suspensa após 29 anos

Johnny Small, de 44 anos, tinha 16 anos quando seu amigo, principal testemunha do caso, o acusou de matar uma vendedora; Small sempre negou ter cometido o crime

O Estado de S. Paulo

11 Agosto 2016 | 18h33

WILMINGTON, EUA - Um juiz suspendeu nesta quinta-feira, 11, a sentença de um homem de 44 anos que passou 29 preso condenado pelo assassinato de uma vendedora. O amigo de infância, que testemunhou contra ele, reconheceu que mentiu. 

Johnny Small irá para prisão domiciliar e as acusações contra ele ainda estão pendentes, já que o juiz Douglas Parsons não o considerou inocente do roubo, seguido de morte. O Estado ainda pode mandá-lo de volta para a prisão. 

O americano de Wilmington, Carolina do Norte, tinha 16 anos quando seu amigo David Bollinger, principal testemunha do caso, o acusou de matar a vendedora Pam Dreher, de 32 anos. Small foi condenado à prisão perpétua, mas sempre negou ter cometido o crime. 

Em 2012, Bollinger procurou a ONG  North Carolina Center on Actual Innocence, que investiga casos como esse,  para dizer que foi obrigado, por um detetive, a dizer que Small havia confessado o crime, caso contrário, ele seria condenado à morte.  

Na audiência na segunda-feira, a primeira de uma série para rever o caso, o detetive veterano James JJ Lightner disse não se lembrar exatamente dos detalhes do caso, mas afirmou que “jamais” ameaçou os jovens. 

Todos os pedidos do acusado de liberdade condicional ao longo dos anos foram negados. Na audiência, Small disse que chegou a pensar em suicídio na prisão. “Eu juro pela minha vida que não fiz aquilo”, disse ao juiz.

Bollinger disse que só aceitou testemunhar no caso porque os promotores promeram que eventuais acusações contra ele ao fim das audiências serão retiradas em razão da ameaça que recebeu do detetive para cooperar.  

"Eu sinto muito. Fui forçado a fazer algo que eu não queria e eu não posso mais mudar isso", disse Bollinger a Small, ao encará-lo no tribunal. 

Os advogados de Small disseram que sem o testemunho de Bollinger, a promotoria nunca poderia ter condenado seu cliente por um crime que precisaria ter sido planejado por um adulto e não por "delinquentes juvenis". Nenhuma arma, digital ou resquícios de sangue da vítima na roupa de Small foram encontrados para ligá-lo ao crime. 

Cerca de 150 pessoas condenadas erroneamente por crimes que não cometeram - um número recorde - foram libertadas no ano passado, segundo o Registro Nacional de Exonerações. O registro é, na verdade, um projeto da Escola de Direito da Universidade de Michigan, que já documentou mais de 1.850 casos como esses nos EUA. / W. POST e AP

Mais conteúdo sobre:
Estados Unidos Prisão Perpétua

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.