Amigos da Venezuela farão reunião na 6ªf

Os representantes dos países do Grupo de Amigos da Venezuela, que vão fazer a primeira reunião de trabalho nesta sexta-feira em Caracas, terão dois desafios pela frente: a busca de meios para regularizar o fornecimento de alimentos para a população, prejudicada pela greve que já dura quase 60 dias, e a flexibilização da paralisação com a retomada das atividades escolares a partir de 3 de fevereiro.Essas duas questões foram consideradas importantes para o início de uma solução para a crise institucional e política que vive o país desde 2 de dezembro do ano passado. Ocorre, entretanto, que as escolas privadas estão, como todo o país e a sociedade, totalmente divididas.Enquanto a Associação Nacional de Institutos de Educação Privada (Andiep) já anunciou o reinício das aulas na próximasegunda-feira, a Câmara Venezuelana de Educação Privada (Cavep) acredita que as atividades escolares deveriam começar só depois da normalização do país. Isto é, depois do fim da greve."A busca de uma solução para esse problema faz parte da linha de trabalho que foi fixada em Washington pelos chanceleres do Grupo de Amigos da Venezuela,a qual vamos seguir e respeitar",disse à Agência Estado o embaixador Gilberto Saboia, subsecretário de Assuntos Políticos do Itamaraty.Saboia, que embarca amanhã à noite para Caracas, foi indicado pelo ministro de Relações Exteriores, Celso Amorim, para conduzir a primeira reunião de trabalho dos vice-ministros de Relações Exteriores dos países amigos da Venezuela.O embaixador esclareceu, no entanto, que a função do Grupo de Amigos da Venezuela é de facilitar o diálogo entre a oposição eo governo venezuelano, respeitando o trabalho que foi feito atéagora pelo secretário-geral da Organização de Estados Americanos (OEA), César Gaviria."Não vamos nos intrometer no embate político entre as partesenvolvidas. Vamos, sim, buscar meios de aliviar a confrontaçãoque existe hoje", acrescentou o embaixador. Saboia explicouainda que o grupo não pretende, em momento algum, substituir uma das partes, já que o papel para o qual foi criado não é esse."Vamos explorar ao máximo a possibilidade de aproximar aposição de um e de outro lado. É evidente que o que pudermosfazer será feito."Com relação ao papel do grupo de países Amigos da Venezuela,do qual fazem parte ainda os Estados Unidos, México, Chile,Espanha e Portugal, o presidente da Federação Nacional deTrabalhadores da Educação da Venezuela (Fenatev), Vicente Romero declarou que, antes, será necessário explicar quais serão os parâmetros da proposta para reiniciar as aulas. Esses parâmetros de acordo com ele, terão de ser submetidos, depois, àsfederações do magistério venezuelano.O embaixador explicou também que, na primeira reunião detrabalho, o grupo vai estabelecer uma agenda, razão pela qualnão estarão presentes os representantes do governo venezuelano eda oposição que quer derrubar o presidente Hugo Chávez do poder. A princípio, o grupo quer também repassar e revisar o que já se discutiu até agora na mesa negociadora que vinha sendo conduzida por Gaviria.O governo norte-americano vai enviar à capital venezuelana para a primeira reunião de trabalho Kurt Strubens, substituto interino de Otto Reich, demitido recentemente da área de Assuntos da América Latina da Casa Branca. Até o final desta terça-feira, Chile, México, Espanha e Portugal não haviam dado a conhecer ainda os nomes dos representantes que sentariam à mesa de trabalho da qual participará o secretário-geral da OEA.

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