Amigos de Ai Weiwei também são libertados na China

Quatro assistentes do artista e ativista chinês Ai Weiwei, que foram detidos junto com ele em um caso controverso, foram libertados após a libertação de Ai, disseram amigos do artista neste sábado.

REUTERS

25 de junho de 2011 | 15h15

Entre as quatro pessoas libertadas estavam o jornalista Wen Tao, detido com Ai no início de abril quando os dois estavam no aeroporto de Pequim para viajar a Hong Kong, disse Liu Yanping, voluntária na campanha de Ai por direitos humanos.

"Todas as pessoas ligadas ao caso foram libertadas", disse Liu à Reuters por telefone.

"Isso é um grande alívio. Mas eu acho que o trabalho de estúdio de Ai Weiwei continuará suspenso por enquanto", disse ela, acrescentando que estava se referindo ao ativismo político de Ai, e não a seu trabalho artístico.

A detenção de Ai e seus associados marcaram o início de um caso controverso que, segundo o governo chinês, fazia parte de suposta sonegação de impostos. Mas a família e os simpatizantes de Ai afirmam ter sido parte de uma tentativa política de silenciar o artista e outros críticos da censura e do controle impostos pelo Partido Comunista do país.

O contador de Ai, Hu Mingfen, um estilista do estúdio de Ai, Liu Zhenggang, e o motorista do artista, Zhang Jinsong, todos desapareceram em abril e foram libertados na quinta ou sexta-feira, segundo Liu. Um advogado próximo de Ai Weiwei, Liu Xiaoyan, confirmou as informações.

O artista, de 54 anos, foi libertado sob fiança na quarta-feira, um dia antes de o premiê chinês, Wen Jiabao, viajar para a Europa, onde visitaria a Grã-Bretanha e a Alemanha, dois países que condenaram a detenção de Ai.

A libertação de Ai e de outros ativistas marcou um certo recuo das autoridades chinesas, que raramente cedem às duras críticas contra o governo.

Mas as acusações sobre sonegação de impostos e as condições impostas para a libertação de Ai e seus amigos devem garantir que eles permaneçam em silêncio por enquanto.

As autoridades chinesas determinaram que Ai não deve falar em público, tuitar ou viajar sem permissão durante um ano, disse à Reuters uma fonte próxima à família na sexta-feira.

(Reportagem de Chris Buckley)

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