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Amigos de vítimas fazem vigílias e tentam entender o que ocorreu

Nas proximidades da boate Pulse, grupos de frequentadores avaliam que ataque mudará rotina de clubes LGBT

Cláudia Trevisan, ENVIADA ESPECIAL / ORLANDO, O Estado de S. Paulo

13 Junho 2016 | 08h39

ORLANDO - Como muitos integrantes da comunidade LGBT de Orlando, Janice Rivera, de 24 anos, tentava ontem entender o que ocorreu na madrugada de ontem na Pulse, uma das casas noturnas da cidade que costuma frequentar. A poucos metros do local, ela e cinco amigas lésbicas faziam uma vigília com velas em homenagem às 50 pessoas que morreram e se perguntavam se a ação foi um crime de ódio contra homossexuais, um atentado terrorista ou ambos.

A Pulse é um dos clubes que faz parte do circuito noturno gay de Janice, ao lado do Parliament House e do Revolution. Por acaso, ela não estava lá na noite de sábado, quando a casa promoveu uma festa latina. “Era um lugar para todo mundo – heterossexuais, gays, lésbicas, jovens, velhos. Todo mundo era bem-vindo”, disse ao Estado. “Tudo que tem a ver com destruição em massa é terrorismo. Dessa vez, o alvo foi a nossa comunidade”, observou.

A seu lado, a amiga Neicha Rivera, de 23 anos, interpretava o ataque como um crime de ódio. “Pode ter sido um ataque contra a comunidade LGBT. Muita gente não gosta de nós. Eles nos julgam”, afirmou. 

O porto-riquenho Rafael Martinez tentava encontrar sua amiga mexicana Alicia, uma transexual que se apresentaria no show de drag queens que deveria ocorrer na Pulse na noite de sábado. Quando soube da tragédia, ele tentou falar com ela por telefone, sem sucesso. Ontem, foi a sua casa, mas não a encontrou. Como não é um parente, Martinez não conseguiu entrar nos hospitais onde os 53 feridos estão sendo tratados.

Sem notícias de Alicia, ele decidiu permanecer ao lado de uma das barreiras policiais no local do crime. Ao lado da namorada Antonette Gonzalez, Martinez exibia um cartaz que desenhou com a imagem de Mickey Mouse chorando. “Por que o ódio?”, perguntava Martinez.

Sua namorada disse que morava em Nova York quando ocorreram os atentados do 11 de Setembro, em 2001. “O ataque contra o World Trade Center foi claramente terrorismo. Nós ainda não temos uma resposta completa, mas o que aconteceu aqui me parece mais um crime de ódio, algo pessoal.” 

Tim H., que pediu para não ser identificado pelo sobrenome, disse que o tiroteio foi um “ataque sem sentido” contra a comunidade gay, da qual faz parte. Mas ele também viu a ação de Omar Mateen como um ato de terrorismo contra os Estados Unidos. “Eu temo que outros virão”, afirmou.

Em sua opinião, o atentado mudará a maneira como os clubes LGBT funcionam no país. “A partir de agora, haverá mais segurança.” Para ele, o ataque não seria evitado com regras mais rigorosas sobre a comercialização de armas nos EUA. “O atirador trabalhava como segurança e tinha porte de armas”, observou.

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