Amigos descartam possibilidade de fraude

Segundo colegas recifenses, Paula estava saudável e feliz no dia do ataque

Angela Lacerda, O Estadao de S.Paulo

14 de fevereiro de 2009 | 00h00

Revoltados e indignados com o que consideram uma dupla violência sofrida por Paula de Oliveira em Zurique, na Suíça, amigos da pernambucana prometem não descansar enquanto toda a situação não for esclarecida, os responsáveis punidos e as autoridades suíças não formalizarem o reconhecimento da "brutal violência" sofrida pela cidadã brasileira."Estamos duplamente chocados", afirmou o amigo de infância e ex-colega de Paula na Faculdade de Direito do Recife, José Soares. "Não bastasse a barbárie, agora querem distorcer os fatos, levantando suspeitas de que ela se flagelou e não estava grávida." Para ele, há uma tentativa de distorção que busca inverter o ônus da prova. Paula, a vítima, está tendo de provar que foi agredida.Os amigos atestam que Paula vivia um momento de plena realização profissional e pessoal. "No mesmo dia da agressão, recebemos e-mail de Paula, superfeliz contando que os gêmeos eram meninas", afirmou o advogado Marco Aurélio Peixoto, que se formou com Paula. "Ela estava bem. É absurdo pensar que ela se violentaria para incriminar um partido político."Um grupo de amigos, colegas e representantes de entidades de direitos humanos, da OAB, da Câmara de Vereadores do Recife e da Assembleia Legislativa do Estado participam, na segunda-feira, de um ato de protesto em frente do monumento Tortura Nunca Mais. Os mais próximos não admitem as insinuações de que Paula teria mentido. "Por trás de tudo isso há um contexto político de xenofobia", observou o amigo Ariosto Cunha. "É muita estranha a versão da polícia", reforçou o presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-PE), Jaime Asfora, que defende a fiscalização e monitoramento da investigação por um organismo internacional isento, como as Nações Unidas, que, segundo ele, serão acionadas. Para os amigos e ex-colegas de Paula, a violência contra a advogada não teria justificativa mesmo se ela fosse uma prostituta ou estivesse ilegal na Suíça.Paula, de 26 anos, nasceu no Recife, estudou em escolas tradicionais e formou-se na Faculdade de Direito da cidade. Era considerada aplicada, estudiosa e centrou seus estudos em Direito Internacional. Conseguiu uma vaga em uma firma dinamarquesa, depois de concorrer em um concurso mundial aberto pela empresa. Ela vive em Zurique há cerca de um ano, para onde foi transferida para chefiar o escritório da multinacional.

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