Kena Betancur / AFP
Kena Betancur / AFP

Amor em tempos de confinamento: solteiros dos EUA reinventam o mundo dos encontros

Na nova normalidade, criada pela crise da pandemia de coronavírus, os encontros por vídeo estão se tornando a norma

Redação, O Estado de S.Paulo

05 de maio de 2020 | 08h00

WASHINGTON - Como encontrar o amor quando se está preso em casa? A pandemia de coronavírus transformou essa busca em um grande desafio, mas milhões de solteiros nos Estados Unidos encontraram maneiras de solucionar o problema.

Na era pré-pandemia, Kate Earle - professora de 30 anos de Washington - conseguia facilmente se encontrar pessoalmente com homens que achava atraentes à primeira vista no aplicativo Tinder. "Mas, como isso não é mais uma opção, as conversas duram muito mais tempo", comentou.

O confinamento fez com que pessoas de todo o mundo recorressem ainda mais aos aplicativos de encontro online, cujo uso alcançou novos recordes.

Em 29 de março, o Tinder atingiu um recorde histórico de uso, com mais de 3 bilhões de "deslizamentos" (swipes). O número de mensagens trocadas no aplicativo rival, Bumble, aumentou em 26% em duas semanas de março nos EUA.

'A cereja do bolo'

Na nova normalidade, criada pela crise da pandemia de coronavírus, os encontros por vídeo estão se tornando a norma. Enquanto o Tinder não possui esta opção, Hinge e Bumble oferecem aos seus usuários a opção de experimentar encontros virtuais.

Zach Schleien lançou seu aplicativo Filter Off para encontros rápidos de vídeo pouco antes do surgimento da pandemia e apenas alguns milhares aderiram à proposta. No entanto, isso mudou rapidamente.

"É como um aumento de 7.000% em menos de um mês", afirmou o nova-iorquino de 29 anos, convencido de que os encontros online são a melhor forma de avaliar se existe um interesse romântico antes de passar para um encontro pessoal.

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Mas, será que um jantar romântico à luz de velas com um estranho na tela de um dispositivo portátil pode realmente funcionar?

Gandhi, fundadora do site Smart Dating Academy, considera que o vídeo facilita o desenvolvimento da "intimidade emocional". "E então é apenas a cereja do bolo, uma vez que se encontrarem pessoalmente", acrescenta.

Já Alexandra Solomon, psicóloga da Universidade Northwestern nos arredores de Chicago, não concorda com Gandhi. "Graças à Deus temos encontros por vídeo por agora", mas "quando sairmos disto, realmente quero que as pessoas voltem a se encontrar em uma mesa com uma garrafa de vinho ou uma xícara de café e que tenham essa experiência antiquada e orgânica um com o outro". /AFP 

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