Amorim chega hoje a Teerã para discutir viagem de Lula em maio

Na agenda do chanceler brasileiro também estão as negociações sobre a questão nuclear iraniana e novas sanções ao país

Fabíola Salvador de Brasília, O Estado de S.Paulo

26 de abril de 2010 | 00h00

Depois de passar pela Turquia e pela Rússia, nos últimos dias, o ministro das Relações Exteriores do Brasil, Celso Amorim, chega hoje ao Irã, onde se encontra com o presidente do país, Mahmoud Ahmadinejad, com o presidente do Parlamento, Ali Larijani, com o chanceler Manouchehr Mottaki e com o secretário-geral do Conselho Supremo de Segurança Nacional, Said Jalili.

 

Veja também:

linkAmorim: ''É um absurdo achar que o Brasil é pró-Irã ou que está isolado''

especialEspecial: O programa nuclear do Irã 

Em nota, o Itamaraty informou que, além dos preparativos para a visita do presidente Luiz Inácio Lula da Silva a Teerã, em maio, o ministro Amorim também discutirá a questão nuclear iraniana.

Em entrevista publicada ontem pelo Estado, o chanceler brasileiro defendeu a posição pragmática do Brasil, que defende o direito do Irã de desenvolver um programa nuclear com fins pacíficos, rejeita novas sanções contra Teerã e busca o diálogo para resolver a crise entre Teerã e Washington. "Chamam-nos de ingênuos, mas acho muito mais ingênuos os que acreditam em tudo o que o serviço de inteligência americano fala", disse.

O chanceler também falou sobre a questão dos direitos humanos e não abandonou o discurso de apoio à Teerã, que caminha, segundo especialistas, para uma ditadura brutal. "O ideal é que o mundo todo fosse feito de democracias. De preferência com um componente social, como a nossa. Mas não é assim."

No sábado, Amorim esteve em Istambul, na Turquia, onde se reuniu com o chanceler turco, Ahmet Davotoglu. Assim como o Brasil, a Turquia também é um membro não permanente do Conselho de Segurança da ONU e não apoia uma nova rodada de sanções contra o Irã.

Durante uma cúpula nuclear organizada pelos EUA, há duas semanas, o presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, e Lula, pediram ao presidente americano, Barack Obama, o fim das sanções ao Irã e propuseram uma oferta de mediação com o país islâmico.

A Turquia também é um país muçulmano, faz fronteira com o Irã e é aliada antigo dos EUA na região. Para Amorim, a maior prova de que o Brasil não está isolado é que a posição do Itamaraty é parecida com a dos turcos.

Moscou. Da Turquia, Amorim seguiu para Moscou, onde se encontrou ontem com o ministro das Relações Exteriores da Rússia, Serguei Lavrov. Amanhã, o chanceler brasileiro deve deixar Teerã de volta ao Brasil.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.