Amorim cobra ''relação adulta'' com EUA

Chanceler diz que não há espaço para intervenções na América do Sul

Jamil Chade, O Estadao de S.Paulo

04 de novembro de 2008 | 00h00

O ministro das Relações Exteriores do Brasil, Celso Amorim, disse ontem em Genebra, na Suíça, que o próximo presidente dos EUA deve manter um "relacionamento adulto" com a América do Sul. Segundo ele, o próximo ocupante da Casa Branca terá de entender que não há mais lugar para intervenções externas nos países sul-americanos, nem para o embargo contra Cuba; e que a região manterá seu processo de integração.Amorim assumiu que "o Brasil terá de lidar com seja qual for o próximo presidente" e lembrou que "as preferências pessoais podem existir, mas isso não altera a relação de estado".O chanceler referiu-se às relações do atual presidente americano, George W. Bush, com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva como de "respeito" e de "pragmatismo" e, apesar da neutralidade oficial, não deixou de manifestar simpatia pela origem da família do candidato democrata, Barack Obama, cujo pai e os avós maternos são do Quênia, no leste da África: "ter um presidente americano com uma avó africana é uma imagem forte". Para ele, o governo americano sabe que o processo de integração regional continuará na América do Sul. Amorim também deixou claro que quebrar a tradição americana de interferir na região será um desafio para o próximo presidente.Ele ainda condenou o embargo contra Cuba e pediu maior diálogo com Havana por parte do próximo governo. "Embargos não são coisas positivas. Uma atitude mais flexível em relação à Cuba seria bom", recomendou. Para ele, isolamentos só podem ser aceitos em situações extremas. "Um caminho de maior diálogo poderia ocorrer", disse em relação a Havana."Quando Lula assumiu, alguns jornais americanos chegaram a falar que o Brasil entraria para o eixo do mal. Mas a realidade é que o diálogo foi positivo. O Brasil tem influência na região e os EUA reconheceram e acharam isso até positivo", explicou Amorim.O chanceler admite que nem sempre a relação foi tranqüila. Um ponto negativo lembrado pelo ministro foi a decisão da criação da Quarta Frota da Marinha militar americana para a América do Sul. "Politicamente, isso não foi um bom sinal. Isso significa que consideram a região como um local de instabilidade. Essa não foi a melhor idéia", alertou.Amorim, porém, reconheceu que a Casa Branca telefonou na época para garantir que nenhum aspecto do direito internacional seria violado com a criação da frota na região.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.