Amorim conversa com Powell antes da reunião do Grupo de Amigos

O chanceler Celso Amorim reúne-se hoje cedo com o secretário de Estado americano, Colin Powell, para acertar os ponteiros sobre a atuação do Brasil e dos Estados Unidos na crise da Venezuela antes do primeiro encontro do grupo de "países amigos", à tarde, na sede da Organização dos Estados Americanos. Formado por iniciativa do presidente LuizInácio Lula da Silva, o grupo inclui também Chile, México,Portugal e Espanha.Embora a questão venezuelana deva dominar a primeira conversade Amorim com Powell depois que ele assumiu o Itamaraty, a estratégia dos Estados Unidos em relação ao Iraque também deve entrar na agenda, quando menos porque o secretário de Estado, que está em campanha para justificar uma possível ação militar contra o regime de Saddam Hussein, levará sua pregação neste fim de semana ao Fórum Econômico Mundial em Davos Suíça, onde o presidente Luiz Inácio Lula da Silva deve falarno domingo.Quanto a Venezuela, o desafio para os chanceleres dos seis "países amigos" é encontrar o quanto antes uma fórmula aceitável para o presidente Hugo Chávez e para seus adversários e que abra o caminho para uma saída constitucional e politicamente viável para a confrontação que paralisa o país há dois meses, já afeta o mercado internacional de combustíveis e pode descambar para uma guerra civil. A Venezuela é o quinto maior exportador mundial de petróleo. O Brasil e os EUA são vistos como os países-chave do grupo, por sua capacidade de pressionar Chávez e a oposição, respectivamente, a aceitar uma solução negociada.Fontes diplomáticas e líderes da oposição venezuelana disseram nos dois últimos dias que as propostas apresentadas pelo ex-presidente americano Jimmy Carter, esta semana, podem servir como base para um entendimento. Carter sugeriu uma redução do mandato de Chávez e a convocação de eleições presidenciais e legislativas para o dia 19 de agosto. O líder venezuelano concordou em princípio com a idéia, que lhe permitirá apresentar-se como candidato. A solução passa pela aprovação de mudanças na atual constituição. Esta seria assegurada por um acordo político a ser negociado pelo secretário geral da OEA, César Gaviria, com os respaldo políticos dos "países amigos".O importante, observou uma fonte oficial americana, é que se chegue logo a uma fórmula. Embora haja um amplo reconhecimento de que a crise requer uma solução urgente e que a Venezuela não pode esperar até agosto, diplomatas e líderes oposicionistas já indicaram que o cronograma de uma saída constitucional para a crise passará a ser menos importante no momento em que surgir uma solução e as pessoas passarem a ver uma perspectiva concreta de mudança. Segundo o deputado George Blyde, do partido oposicionista Primero Justicia, que passou os três últimos dias em contatos com o legislativo e o executivos dos EUA, é essencial que os países amigos ajudem a Gaviria a produzir uma solução antes de um referendo consultivo sobre a renúncia de Chávez que foi marcado para o início do mês que vêm, por petição popular, mas acabou impugnado pela Suprema Corte chavista. "Os 2,4 milhões de venezuelanos que firmaram a petição pedindo a convocação do referendo querem saber qual é a alternativa", disse Blyde. "Se isso não for assegurado, ninguém pode prever a reação popular".

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