Amorim defende 'discrição' sobre direitos humanos

Para o chanceler brasileiro, libertação de francesa prova que 'é melhor agir de forma [br]silenciosa'

Roberto Simon, O Estado de S.Paulo

18 Maio 2010 | 00h00

ENVIADO ESPECIAL / TEERÃ

O chanceler brasileiro, Celso Amorim, disse ontem que a libertação da francesa Clotilde Reiss, durante a visita do presidente Luiz Inácio Lula da Silva a Teerã, é prova de que a diplomacia do Brasil para a área de direitos humanos é "correta e eficiente".

Clotilde foi presa no Irã em julho, durante a onda de protestos que se seguiu à reeleição do presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad. Na época, ela trabalhava na Universidade de Isfahan e enviou informações sobre os protestos para a embaixada da França e sua família. Por isso, foi acusada de espionagem e condenada a 10 anos de prisão. No sábado, Teerã anunciou que a pena foi substituída por uma multa de 350 mil e, no domingo, a professora voltou para casa.

A visita de Lula teria criado condições para a libertação e a diplomacia brasileira trabalhou de forma "discreta" para permitir a volta de Clotilde. Tanto a professora quanto o presidente francês, Nicolas Sarkozy, agradeceram ao Brasil pela ajuda.

As declarações sobre o caso de Clotilde foram a única referência aos direitos humanos feitas durante a passagem de Lula pelo Irã. Amorim defendeu o silêncio do Brasil sobre o tema. "É melhor agir de forma silenciosa do que estridente", disse. Segundo o chanceler, condenar Teerã pelas violações provocaria "apenas reações e não resultados".

Durante a preparação da visita de Lula, dissidentes iranianos, como a ativista Shirin Ebadi, ganhadora do Nobel da Paz, pediram a Lula que usasse sua popularidade em favor da luta contra as violações dos direitos humanos no Irã. Shirin exortou o líder brasileiro a encontrar-se com dissidentes, mas o pedido foi ignorado. Em junho, Lula chegou a dizer que a onda de protestos iniciada após a contestada reeleição de Ahmadinejad era "choro de perdedor".

Amorim criticou a alta comissária da ONU para Direitos Humanos, Navi Pillay, que recusou um convite de Teerã para uma visita oficial ao país. Formalmente, Navi afirmou que sua agenda estava lotada. A informação que circula nos bastidores é que ela temia que a visita fosse instrumentalizada pelo regime.

Durante a visita de Lula, o Brasil tentou mediar também a libertação de três alpinistas americanos presos no Irã. A secretária de Estado dos EUA, Hillary Clinton, havia pedido ajuda a Amorim para resolver a questão. "Traga nossos garotos de lá", disse Hillary ao chanceler. O assunto foi tratado pela delegação do Brasil, mas não houve resultados.

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