Amorim diz que Grupo de Amigos não pretende arbitrar

O chanceler Celso Amorim declarou, na capital argentina, que a solução da crise venezuelana poderia ser eleitoral, sempre e quando a Constituição do país for respeitada. Referindo-se à queda de prestígio popular que o governo do presidente Hugo Chávez enfrenta, o ministro sustentou, porém, que "não dá para pensar em realizar eleições cada vez que um governo perde popularidade".Segundo Amorim, o Grupo de Amigos, de que participam diversos governos para aconselhar os lados em confronto na Venezuela, "não é um grupo de arbitragem mas, sim, para dar idéias. O grupo foi criado para facilitar o diálogo entre as partes, de não para impor soluções de fora".Comentando a situação nesse país, afirmou que ela "não é fácil". No entanto, constatou "pequenos avanços. Pequenos, mas estão acontecendo". Amorim esteve em Buenos Aires para uma série de reuniões com os integrantes do governo do presidente Eduardo Duhalde, entre eles, seu colega, o chanceler Carlos Ruckauf.O governo argentino mantém-se cauteloso sobre o "affaire" venezuelano. Esquivando-se de fazer comentários sobre o Grupo de Amigos, o chanceler Ruckauf declarou hoje que a solução para a Venezuela "precisa ser encontrada pelos próprios venezuelanos". Segundo Ruckauf, a solução deve ser "constitucional e democrática".Diplomaticamente, para não destoar da posição brasileira, Ruckauf emendou: "Se o Brasil está presente nas conversas sobre a crise na Venezuela, a Argentina sente-se totalmente representada".A Argentina, ao contrário do Brasil, não integra o Grupo de Amigos, e nem demonstrou interesse em participar.Fontes da Chancelaria argentina indicaram que o governo Duhalde, tal como os dois governos anteriores (dos ex-presidentes Carlos Menem e Fernando de la Rúa) preferem evitar posições claras em questões internacionais que sejam potenciais motivos de irritação para o governo dos Estados Unidos.Amorim e Ruckauf também se referiram à posição do Mercosul diante da eventualidade de guerra no Iraque. Segundo o chanceler brasileiro, a situação será acompanhada de perto, e os países do Mercosul ainda definirão uma posição comum.Em Montevidéu, o chanceler uruguaio, Didier Operti, sustentou que existe uma tendência entre os governos do Mercosul a "respeitar o processo da ONU" e que considera um ataque militar ao Iraque como "o último recurso".

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