Amorim diz que pediu moderação ao Irã em encontro na Turquia

Ministro já está em Israel e conversou com o premiê Binyamin Netanyahu durante uma hora e meia.

Guila Flint, BBC

25 de julho de 2010 | 18h09

O ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, disse ao chegar a Jerusalém neste domingo, que pediu ao chanceler iraniano, Manuchehr Mottaki, durante um encontro na Turquia, que o país aja com moderação para evitar novas sanções da Comunidade Europeia.

Após chegar, Amorim conversou por uma hora e meia com o primeiro-ministro israelense, Binyamin Netanyahu.

Em entrevista a jornalistas brasileiros, o chanceler Amorim disse que informou o primeiro ministro israelense sobre as conversas que teve com os chanceleres turco e iraniano em Istambul, na Turquia, e sobre o diálogo que o Brasil tem mantido com o governo sírio e com a Autoridade Palestina.

De acordo com Amorim, a conversa com Netanyahu foi "proveitosa" e o premiê israelense demonstrou muito interesse nas informações, fazendo anotações e várias perguntas durante a reunião.

Os encontros do chanceler brasileiro em Istambul e Jerusalem ocorrem um dia antes que a União Europeia deverá se reunir para discutir mais sanções contra o Irã, com o objetivo de impedir que o país siga adiante com seu projeto nuclear.

'Reação firme'

O presidente iraniano Mahmoud Ahmadinejad afirmou neste domingo que seu país "reagirá com firmeza às sanções".

Amorim disse que "espera que a União Europeia não imponha novas sanções ao Irã, sanções não ajudam" e acrescentou ter pedido a Manuchehr Mottaki que o Irã "aja com moderação".

"Viemos reafirmar o nosso interesse em uma solução pacifica, diplomática e negociada para a questão nuclear iraniana, que também garanta que não haja mobilização militar do programa (nuclear) iraniano", disse Amorim.

O ministro também disse que o Brasil recebeu "sinais ambíguos" sobre o interesse de vários países no acordo de troca de urânio com o Irã.

"É preciso que os sinais sejam claros, o nosso único objetivo é ajudar na paz", afirmou.

Ceticismo

Amorim disse ainda que se os 1,2 mil quilos de urânio (que deveriam ser retirados do Irã, segundo o acordo) já estivessem na Turquia, "o mundo estaria mais tranquilo".

Em entrevista à BBC Brasil, a embaixadora Dorit Shavit, diretora do departamento de América Latina do ministério de Relações Exteriores de Israel, manifestou o ceticismo do governo israelense acerca do acordo de troca de urânio.

"Lamentamos que um país como o Brasil se deixe enganar pelo Irã", disse Shavit, "depois de tanto tempo utilizando todos os tipos de artimanhas para ocultar o seu programa nuclear, a comunidade internacional já se convenceu de que a verdadeira intenção do Irã é fabricar armas atômicas".

"O Brasil é um país amigo de Israel, mas sobre as questões politicas ligadas à região (o Oriente Médio), nós discordamos e continuamos discutindo nossas divergências como amigos", afirmou a embaixadora israelense.

Nesta segunda-feira, o chanceler brasileiro deverá ir a Ramallah para se encontrar com o primeiro-ministro palestino, Salam Fayad, e com o ministro das Relações Exteriores, Riad Al-Malki.

Na terça-feira, Amorim deverá almoçar com o chanceler israelense, Avigdor Lieberman, e depois parte para a Siria.BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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