Amorim e Jobim criticam cerco diplomático a Teerã

WASHINGTON

, O Estado de S.Paulo

13 de abril de 2010 | 00h00

O Brasil manteve a posição contrária a uma nova resolução com sanções ao Irã no Conselho de Segurança das Nações Unidas, apesar da pressão americana. Os ministros brasileiros da Defesa, Nelson Jobim, e das Relações Exteriores, Celso Amorim, defenderam mais negociações na área diplomática antes de levar a questão para o órgão máximo da ONU.

A questão nuclear iraniana foi debatida entre Jobim e o secretário da Defesa dos Estados Unidos, Robert Gates, em encontro no Pentágono para a assinatura de acordo militar entre os dois países.

"Eu disse a ele que temos de esgotar as conversações", declarou Jobim. Tanto o ministro da Defesa brasileiro quanto Amorim tentaram deixar claro que a posição do Brasil é contra o Irã possuir armas nucleares, mas respeita o direito de os iranianos desenvolverem um programa nuclear para fins pacíficos.

"Como o Brasil, o Irã pode enriquecer o urânio até 20%", que é o necessário para usinas de energia atômica e pesquisas médicas, mas insuficiente para a fabricação de armas, acrescentou Jobim.

Insistência. Amorim deve adotar discurso similar na reunião de hoje com a secretária de Estado Hillary Clinton. Para os americanos, o programa nuclear iraniano busca desenvolver armas atômicas. O regime de Teerã nega e o Brasil espera mais provas antes de apoiar novas sanções.

Assim como Jobim, Amorim disse que o Brasil não deve assinar o protocolo adicional do Tratado de Não-Proliferação Nuclear (TNP), que permitiria mais inspeções nas instalações nucleares brasileiras. "Isso seria invasivo", disse o chanceler. "É um desrespeito à soberania", afirmou por sua vez o ministro da Defesa. / G.C. e P.C.M.

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