Amorim: Itamaraty poderá retirar brasileiros do Líbano

O ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, disse que o governo brasileiro ficou "chocado" com a morte de quatro brasileiros atingidos por bombardeios de Israel no Sul do Líbano e alertou para o risco do conflito se espalhar na região. Ele informou que o Itamaraty poderá repatriar os brasileiros dispostos a sair do Líbano. "Podemos apenas ficar chocados com a morte de uma família", disse Amorim, numa entrevista à imprensa na capital britânica, de onde embarcou para São Petersburgo para participar da reunião de cúpula do G-8. Israel ampliou sua ofensiva contra o Hezbollah na quinta-feira, em uma retaliação à morte e captura de soldados israelenses após a incursão de militantes da guerrilha libanesa ao território hebreu. Mais de 50 civis libaneses já morreram em decorrência das investidas israelenses no Líbano, entre eles uma família de quatro brasileiros.O chanceler do Brasil observou também que a embaixada de Israel em Brasília divulgou uma nota lamentando a morte dos brasileiros. "Quando você faz ataques muito fortes, a probabilidade de se ter vítimas inocentes cresce muito", afirmou, para depois qualificar como exagerada a resposta do governo israelense ao seqüestro de seus soldados. "Condenamos todos os tipos de incursão, todos os tipos de atos terroristas, mas achamos que ação de Israel foi desproporcional." Amorim destacou que os ataques israelenses danificaram aeroportos e portos do Líbano, situação que pode dificultar os esforços para a retirada de brasileiros na região. Consultado pelo portal Estadão.com.br após as declarações do ministro, a assessoria de imprensa do ministério das Relações Exteriores (MRE) informou que até o momento não há previsão para uma eventual retirada de brasileiros do Líbano. "Mas se houver necessidade, podemos enviar aviões para a região. Isso não é novidade para o governo brasileiro, que já repatriou brasileiros em situação de risco em outras ocasiões", informou um porta-voz do ministério. Ainda segundo o MRE, a comunicação com as representações brasileiras no Líbano está prejudicada devido ao congestionamento das linhas telefônicas do país. O Itamaraty destacou também que nenhum outro caso de brasileiros vitimados pelas ações de Israel na região foi relatado nos últimos contatos feitos com a embaixada. Amorim concluiu destacando que o governo brasileiro está "muito preocupado" com a escalada do conflito no Oriente Médio. "Já havia uma crise na Palestina, na Faixa de Gaza, que já era grave, e agora isso se espalhou para o Líbano. Vemos a radicalização, de um lado e do outro", disse. "Isso tende a gerar mais problemas e aumenta o risco dessa crise se espalhar." Colaborou André Mascarenhas

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