Amorim: ´Não há nada a fazer se Bolívia expulsar brasileiros´

O ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, admitiu nesta quinta-feira que o Brasil estará de mãos atadas se o governo boliviano desapropriar as fazendas de produtores de soja brasileiros e expulsar os cidadãos estabelecidos na zona rural dos Departamentos de Pando e de Beni, no Norte do país. Amorim indicou que o Brasil espera que o governo boliviano trate o tema com "a atenção devida", uma vez que Brasília não optou por métodos truculentos para lidar com esse impasse latente. "O Brasil nada poderá fazer se a Bolívia adotar a socialização dos seus meios de produção", afirmou Amorim, enquanto fazia o trajeto entre Montevidéu (Uruguai) e Assunção (Paraguai). "A terra é deles. A questão é de soberania. O que podemos é pedir que tratem com respeito os brasileiros que contam com propriedades produtivas na Bolívia." Na segunda-feira, o presidente da Bolívia, Evo Morales, comemorou a aprovação, pela Câmara de Deputados, de um projeto que dará preferência à produção de alimentos orgânicos, em vez do agronegócio, no contexto da reforma agrária prometida na campanha eleitoral em 2005. Durante a tramitação desse projeto, saíram às ruas manifestantes provenientes das regiões produtivas, responsáveis por parcela relevante da economia. Assim como ocorreu com a regulamentação da nacionalização dos setores de gás e de petróleo, em maio, a questão abriu novas frentes de preocupação para o Itamaraty. A primeira diz respeito aos impactos da reforma agrária sobre os produtores brasileiros - a possibilidade de desapropriação dos sojeiros - e a expulsão dos cerca de dois mil agricultores e extrativistas que se estabeleceram em Pando e Beni, sob o pretexto de que estão fixados na faixa de 50 quilômetros da fronteira. Os produtores de soja brasileiros respondem atualmente por cerca de 60% das exportações bolivianas desse grão. A segunda preocupação está relacionada aos desgastes políticos de Morales, pressionado pelos próprios movimentos nacionalistas que o elegeram e por setores de oposição. "Temos interesse na estabilidade da Bolívia", assinalou Amorim.

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