Amorim: não proliferação nuclear requer desarmamento

Em clara antecipação da posição do Brasil em dois importantes eventos internacionais sobre a área nuclear, o chanceler Celso Amorim afirmou hoje que somente haverá espaço para a não proliferação de armas atômicas quando houver um real desarmamento. O próprio Amorim se incumbiu de traduzir essa máxima para a principal ameaça atual de surgimento de uma nova potência nuclear: "Não queremos que o Irã tenha ou que desperte o temor de que tem armas nucleares."

DENISE CHRISPIM MARIN, Agencia Estado

18 de fevereiro de 2010 | 20h25

Logo ao deixar um seminário que debateu os principais temas da agenda internacional, durante o 4º Congresso do PT, Amorim deixou claro que o Brasil argumentará em favor de um compromisso mais efetivo sobre a eliminação de arsenais atômicos durante a Cúpula Global sobre Segurança Nuclear, que se dará em Washington entre os dias 12 e 13 de abril, e a Conferência de Revisão do Tratado de Não-Proliferação Nuclear (TNP), de 3 a 28 de maio, nas Nações Unidas. "A verdadeira não proliferação só ocorrerá quando houver desarmamento", receitou.

O chanceler indicou que o compromisso do Brasil de não proliferação nuclear está na base da iniciativa do governo Luiz Inácio Lula da Silva de promover o diálogo entre o Irã e os países ocidentais em torno do acordo proposto pela Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA). O acordo prevê a troca do estoque de urânio enriquecido a 3,5% do Irã pelo combustível para uma usina de produção de medicamentos.

Para Amorim, trata-se de uma "base adequada" para a solução do atual impasse, que envolve igualmente a alternativa traçada pelos Estados Unidos, França e Reino Unido de fazer com que o Conselho de Segurança das Nações Unidas aplique novas sanções ao Irã. Do ponto de vista brasileiro, essa saída não forçaria Teerã ao diálogo. Ao contrário, aprofundaria seu isolamento e posturas mais radicais. A adesão da Rússia a esse grupo, para Amorim, é apenas uma "dedução" e não estaria clara.

"Queremos contribuir para o diálogo porque essa é uma situação que inspira cuidado no mundo. Não desejamos a proliferação nuclear", afirmou.

Pela terceira vez em menos de uma semana, Amorim voltou a sugerir que o diretor-geral da AIEA, Yukiya Amano, chame os negociadores iranianos para tirar dúvidas sobre o acordo - como prazo, forma de entrega do urânio e do combustível e quantidades - e também sobre a capacidade de enriquecimento de urânio do Irã em teores mais elevados, como 80% ou 90%. O chanceler terá a oportunidade de apresentar essa sugestão diretamente em breve, durante visita de Amano ao Brasil.

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