Amorim nega uso político de embaixada por Zelaya

Ministro diz à BBC Brasil que presidente deposto não vai convocar simpatizentes a partir de representação brasileira.

Camila Viegas-Lee, BBC

23 de setembro de 2009 | 17h57

O ministro de Relações Exteriores, Celso Amorim, disse nesta quarta-feira à BBC Brasil que o presidente deposto de Honduras, Manuel Zelaya, não vai usar a embaixada brasileira na capital hondurenha, onde está refugiado desde segunda-feira, como instrumento político para convocar simpatizantes.

"Isso não vai acontecer", disse Amorim, que falou com exclusividade à BBC Brasil em Nova York, momentos antes de entrar em uma reunião do Conselho de Chanceleres da América do Sul e Países Árabes.

Amorim também comentou as declarações feitas pela vice-chanceler do governo interino de Honduras, Martha Lorena Alvarado. Na terça-feira, Alvarado acusou o Brasil de ingerência e disse que o país será considerado responsável em caso de "derramamento de sangue".

Segundo Amorim, o governo brasileiro não considera Alvarado chanceler de Honduras.

Ela pertence ao Ministério nomeado por Roberto Micheletti após a expulsão de Zelaya do país, em 28 de junho. Esse governo interino não é reconhecido pelo Brasil, que considera Zelaya o presidente legítimo de Honduras.

"Do nosso ponto de vista, a chanceler é a Patrícia Rodas (chanceler do governo de Zelaya), que está aqui", disse o ministro brasileiro.

"Quem está fechando os aeroportos, quem não está deixando o secretário-geral (da OEA, José Miguel) Insulza ir (para Honduras) é que pode ser responsável por algum conflito, que espero que não ocorra."

Diálogo

Na terça-feira, o governo interino de Honduras chegou a cortar o fornecimento de água, eletricidade e telefone à embaixada brasileira em Tegucigalpa, em represália pela presença de Zelaya.

Amorim disse esperar que "haja respeito às convenções de Viena", que regulam como os países devem lidar com embaixadas e representações diplomáticas em seu território.

"Conforme já foi estabelecido até em episódios anteriores muito graves, como foi o episódio que houve no Irã, mesmo que haja rompimento de relações diplomáticas as imunidades diplomáticas têm que ser respeitadas", disse.

O ministro afirmou ainda que o Brasil tem apoiado o diálogo, "inclusive nas conversas do presidente Lula e nas minhas conversas com o presidente Zelaya - e já conversei diversas vezes".

"A nossa posição, e a do secretário-geral Insulza, é que tem que haver diálogo para negociação", disse. BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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