Amorim pede ao Irã 'cooperação extensiva'

No Senado, chanceler adverte que Teerã não deve ter ilusões de elevar comércio com Brasil se ONU impuser sanções

Denise Chrispim Marin e Ana Paula Scinocca, BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

07 de abril de 2010 | 00h00

O ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, advertiu ontem que Teerã deveria flexibilizar suas posições, "cooperar da forma mais extensiva possível" em favor de um acordo e aceitar a presença de inspetores da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) em suas instalações nucleares.

Diante dos membros da Comissão de Relações Exteriores do Senado, Amorim afirmou que o Irã está pagando por decisões equivocadas relativas a seu programa nuclear, mas acrescentou que Teerã "não abdicará" de seu direito de enriquecer urânio com objetivos pacíficos.

Aos senadores, o chanceler insistiu que o Brasil "não é nem pró nem contra o Irã", mas a favor da paz e de uma solução negociada, que possa evitar a imposição de sanções da ONU ao país.

Segundo Amorim, ele alertou ao presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, para que não alimente ilusões de que o comércio entre Brasil e Irã poderá se elevar a bilhões de dólares se a ONU adotar novas sanções contra o a república islâmica.

Conforme insistiu, o acordo de troca de parte do estoque de urânio levemente enriquecido do Irã por combustível para a usina iraniana, proposto pela AIEA, está "pré-negociado".

Amorim explicou que a vantagem do acordo está em sua capacidade de resgatar a confiança entre os dois lados.

Em uma antecipação da posição brasileira na Conferência de Revisão do Tratado de Não-Proliferação Nuclear (TNP), marcada para maio, Amorim defendeu aos senadores que a melhor garantia para que outros países não iniciem a fabricação de armas nucleares está no desarmamento das grandes potências. "Uma só bomba atômica já é ruim. Israel tem 200 e os EUA terão 1.500", argumentou. "Enquanto um país tiver a bomba atômica, outro país que se considerar ameaçado se sentirá no direito de tê-la também."

PARA ENTENDER

O presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, recebeu a visita, em novembro, do iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, num momento em que os EUA tentavam convencer os membros do Conselho de Segurança da ONU a aprovar sanções ao Irã para que o país desista de seu programa nuclear. Para o Departamento de Estado, a aproximação de Lula com o polêmico líder iraniano ajudou Ahmadinejad a romper o isolamento diplomático do Irã. Ao mesmo tempo, o Itamaraty programou para maio uma visita de Lula a Teerã.

A secretária de Estado dos EUA, Hillary Clinton, veio ao Brasil em março e reiterou à diplomacia brasileira que a suspensão do programa atômico do Irã é uma das prioridades da política externa americana.

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