Amorim pede ''garantia jurídica'' a Bogotá

Segundo chanceler, pacto deve proibir incursões dos EUA fora da Colômbia

Denise Chrispim Marin, O Estadao de S.Paulo

15 de agosto de 2009 | 00h00

O chanceler Celso Amorim insistiu ontem que a Colômbia deve fornecer aos países vizinhos uma "garantia de valor jurídico" de que seu acordo com os EUA não permitirá em hipótese nenhuma incursões militares fora do território colombiano. O pacto, que prevê a presença de 800 militares americanos em até 7 bases colombianas, deve ser assinado no fim de semana.Para Amorim, a exigência é "natural nas relações internacionais". "O Tratado de Tlatelolco, que proibiu as armas nucleares da América Latina, só foi assinado (em 1967) depois que as cinco potências nucleares deram garantia formal de que não usariam e nem estacionariam armas atômicas na região", disse Amorim, por telefone, ao Estado. "O atual caso não diz respeito a armas nucleares. Mas uma garantia de que não haverá incursões militares americanas e colombianas nos territórios vizinhos tranquilizará alguns países." Ao final de uma visita a Lima, o chanceler avaliou que é provável que uma única reunião de cúpula da União de Nações Sul-Americanas (Unasul), agendada para o dia 28 em Bariloche, Argentina, não seja suficiente para alcançar um consenso sobre a questão. Ausente na reunião da Unasul em Quito, na segunda-feira, o presidente da Colômbia, Álvaro Uribe, disse que estará presente em Bariloche.Para Amorim, a melhor receita será a discussão "franca e tranquila". "O diálogo não pode ocorrer só com os que estão afinados, mas também com os que pensam de forma diferente", disse.RETOMADA DO DIÁLOGOAinda ontem, Uribe manifestou-se disposto a retomar o diálogo com Equador e Venezuela para recompor as tensas relações diplomáticas e disse que também quer acordos de cooperação militar com o Brasil e outros países da América do Sul.

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