Amorim: prioridade do Brasil é promover saída de Zelaya

Em entrevista ao programa "Bom Dia, Ministro", da estatal EBC, o chanceler Celso Amorim afirmou hoje que agora a prioridade brasileira é "garantir a saída" do presidente Manuel Zelaya de Honduras. Amorim indicou ainda que o Brasil poderá vir a reconhecer o presidente eleito no último dia 29, Porfírio "Pepe" Lobo, em médio ou longo prazo.

DENISE CHRISPIM MARIN, Agencia Estado

10 de dezembro de 2009 | 19h21

Diplomatas brasileiros acrescentaram que uma postura de condenação ao golpe de Estado e ao regime de facto instalado em 28 de junho passado logo no início da administração de Lobo, que será empossado em 27 de janeiro, abriria uma porta para o reconhecimento de sua legitimidade por Brasília. "Nós não temos nenhuma intenção de reconhecer essas eleições em curto prazo", afirmou o ministro, ao suavizar a posição anterior do governo. "Mas nos interessa muito que o presidente Zelaya possa sair em segurança e que a nossa embaixada não seja de maneira nenhuma atacada."

Essas posições foram assinaladas logo depois de Amorim ter sido informado do fracasso da operação de transferência de Zelaya para o México, que fora intermediada pelo Brasil. "Eu confesso que acordei hoje pensando que o Zelaya já estaria no México e fui surpreendido com a notícia de que teria havido essa dificuldade por uma exigência absurda".

Asilo

De acordo com Amorim, Zelaya havia pedido aos governos brasileiro e argentino ajuda para transferir-se a outro país. Teria sugerido o México, que aceitou o encargo. A costura dessa operação foi finalizada em paralelo à Cúpula do Mercosul, que se deu no Uruguai nos últimos dias 7 e 8 e que contou com a presença da chanceler mexicana, Patrícia Espinosa. O Brasil, segundo Amorim, não consultou os Estados Unidos.

O fracasso dessa operação deixou o governo brasileiro atônito, especialmente pelo fato de ter sido provocado pela exigência do governo de facto de que Zelaya assinasse sua renúncia e sua intenção de pedir asilo político ao México. Para Amorim, tratou-se de uma tentativa de "humilhar, de querer esmagar" Zelaya. "Eu nunca vi algo semelhante. Isso apenas demonstra a total marginalidade desse governo de facto em relação às normas internacionais."

O chanceler brasileiro ainda se mostrou otimista com a possibilidade de outro país vir a se candidatar a abrigar Zelaya, como "convidado de honra", e de Nações mais influentes sobre o governo de facto colocarem um pouco de "sensatez" na cabeça do governante hondurenho.

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