Amorim quer reunião da ONU para discutir Haiti

O ministro das Relações Exteriores brasileiro, Celso Amorim, conversou nesta segunda-feira com a secretária de Estado americana, Condoleezza Rice. De acordo com o Itamaraty, Amorim recebeu pela manhã um telefonema de Condoleezza em Brasília e os dois conversaram sobre diversos assuntos, incluindo o processo eleitoral haitiano. Em seguida, Amorim teria instruído o embaixador do Brasil na ONU, Ronaldo Sardenberg, a consultar representantes de outros países sobre a possibilidade de que uma reunião sobre o assunto seja realizada no Conselho de Segurança.Amorim também conversou nesta segunda-feira com o bispo sul-africano Desmond Tutu, vencedor do Prêmio Nobel da Paz em 1984, que está em Porto Príncipe, onde acompanha a apuração dos votos da eleição haitiana, realizada na última terça-feira. Segundo assessores, o chanceler brasileiro pediu que o bispo utilize sua reputação internacional para fazer um apelo aos haitianos pela paz no país. Amorim afirmou nesta segunda-feira que o governo brasileiro tem acompanhado com atenção o clima de tensão que cerca o processo eleitoral haitiano e que a comunidade internacional precisa trabalhar "com uma combinação de firmeza e prudência" para ajudar o Haiti a superar o atual momento de instabilidade. "Estamos vendo tudo com muita prudência. Houve um grande esforço de todos, e principalmente dos próprios haitianos, para chegar a estas eleições", disse o ministro.Com quase 90% dos votos das eleições no Haiti apurados, o candidato René Préval é o primeiro colocado, com 48,7% dos votos. Para que seja declarado vencedor, sem a necessidade de um segundo turno, Préval precisa de 50% mais um dos votos válidos. O resultado final é esperado ainda nesta segunda-feira e a apuração tem sido realizada em meio a alegações de fraude, apesar de observadores internacionais terem dito que a votação transcorreu sem problemas. Partidários de Préval, que já foi aliado do ex-presidente Jean Bertrand Aristide, fizeram barricadas nas ruas de Porto Príncipe nesta segunda-feira para exigir que ele seja declarado o vencedor da eleição presidencial.Para o ministro Celso Amorim, a escalada de tensão e as manifestações que acompanharam a apuração dos votos no Haiti criaram uma "situação preocupante" no país. "Se há alguma margem de dúvida quanto à vitória ou não de Préval, é necessário reforçar os chamados para que todas as forças políticas se mantenham em paz", afirmou o chanceler brasileiro.Entre os dias 3 e 10 de fevereiro, o Haiti viveu a sua semana mais pacífica dos últimos meses com apenas quatro seqüestros ocorridos no país, contra os quase 60 que foram registrados nas semanas de dezembro. Segundo analistas, a relativa calma se deve justamente ao favoritismo de Préval, que teria o apoio de líderes de gangues que estão por trás da violência no país.

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