Amorim se diz ''otimista'' sobre solução do impasse

Chanceler brasileiro mostra cautela, mas afirma haver ''elementos'' de um acordo com o Irã para troca de urânio

Tânia Monteiro, O Estado de S.Paulo

14 Maio 2010 | 00h00

Mesmo admitindo que "o diabo mora nos detalhes", o ministro das Relações Exteriores do Brasil, Celso Amorim, se mostrou ontem "moderadamente otimista" sobre as negociações para evitar sanções e chegar a uma solução para o problema nuclear iraniano. Ele afirmou que continua de pé a proposta que prevê a troca de urânio levemente enriquecido do Irã por combustível para uma usina do país para a fabricação de medicamentos.  

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"Já existem elementos para se chegar a um acordo", afirmou Amorim. "Tudo gira em torno da proposta feita pela Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) para o Irã sobre a troca de combustível", acrescentou o chanceler. "Não seriam variações nem afastamentos daquela proposta, mas como fazer (a troca). É preciso saber como se consegue vencer esse tema que se tornou quase místico, que é o lugar da troca."

De acordo com Amorim, os negociadores iranianos têm se reunido "para discutir os detalhes". Por ser um assunto sensível, o chanceler admitiu que seu otimismo é cauteloso.

"Nessas coisas sempre podem surgir questões novas, dúvidas novas, e ninguém pode ter certeza do que vai ocorrer", afirmou. "O diabo mora nos detalhes", declarou o chanceler, com bom humor, ao admitir que a questão é política e diplomaticamente sensível.

Cúpula. Amorim evitou usar a contundência do chanceler iraniano, que anunciou ontem a realização de uma cúpula trilateral, no domingo, envolvendo Brasil, Turquia e Irã, para solucionar o impasse nuclear.

Ao ser questionado sobre os detalhes da proposta que estaria em fase final de negociação, Amorim disse que "há muitas maneiras de se fazer isso", em referência à troca do urânio.

"Há maneiras de tentar superar isso, de conseguir contornar as desconfianças, que são muito grandes, de parte a parte, sobretudo entre alguns países ocidentais e o Irã. Eu acho que o Brasil e a Turquia são países que têm excelente interlocução com todos os países e podem ajudar."

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva desembarcou ontem em Moscou para a primeira escala da mais ousada cartada de política externa de seu governo, que envolve a intermediação de um acordo com o Irã a respeito da questão nuclear.

Com o mundo todo de olho em sua iniciativa, o presidente brasileiro busca o apoio político da Rússia - onde se reunirá hoje com o presidente Dmitri Medvedev e com o premiê Vladimir Putin - para tentar convencer o Irã de que esta será sua chance de evitar as novas sanções econômicas que a ONU ameaça impor ao país.

Amorim destacou ainda a "importância do apoio político" que o Brasil busca em sua passagem por Moscou. Esse apoio ficou claro quando Medvedev declarou que a visita do presidente Lula poderia ser "a última chance para o Irã avançar" na busca do entendimento.

"Eu acho que esse apoio russo é o mais importante para nós, assim como foi o do presidente (Nicolas) Sarkozy", afirmou o chanceler, referindo-se ao telefonema que o presidente francês fez esta semana para Lula.

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