Amorim vai à Síria a pedido de Israel

ENVIADA ESPECIAL / AMÃ

Denise Chrispim Marin, O Estadao de S.Paulo

19 de março de 2010 | 00h00

Tentando novamente estabelecer canais de diálogo com a Síria e o Irã sobre a paz no Oriente Médio, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva determinou, inesperadamente, ontem pela manhã que o chanceler Celso Amorim embarcasse de Amã para Damasco. O presidente israelense, Shimon Peres, havia pedido ao Brasil que negociasse com a Síria para fazer avançar negociações.

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Também ontem, em mais um capítulo da tensão entre EUA e Israel, a secretária americana de Estado, Hillary Clinton, conversou por telefone com o premiê israelense, Binyamin Netanyahu.

O enviado de Washington para o Oriente Médio, George Mitchell, deve desembarcar no fim de semana na região para retomar o diálogo, informou o Departamento de Estado. A viagem de Mitchell havia sido temporariamente suspensa depois que Israel anunciou novas 1.600 casas em Jerusalém Oriental.

Amorim deixou Amã, na manhã de ontem, com dificuldade de explicar à imprensa qual a contribuição que o Brasil poderá dar com esses movimentos. O ministro alegou que seria um "novo olhar" para o conflito, sem possibilidade de detalhar o significado. Mas reconheceu que o ator fundamental no processo de paz entre israelenses e palestinos continua a ser os EUA, e disse que o Brasil não tem a ambição de substituí-los.

"Não estou dizendo que o Brasil influenciará (a solução do conflito). Não chega a tanto a nossa megalomania", ponderou, referindo-se com ironia aos que assim qualificam a política externa do governo Lula. Na Síria, Amorim foi recebido pelo presidente Bashar Assad. De lá, também telefonou para o chanceler da Turquia, Ahmet Davutoglu.

Damasco e Teerã. Reforçada ontem por Lula na Jordânia, a avaliação brasileira é a de que o sucesso do diálogo entre palestinos e israelenses depende do engajamento de outros países influentes, mas que estão fora da mesa de negociações. Um deles é o Irã, por seu apoio financeiro ao Hamas, grupo que domina a Faixa de Gaza e tem relações rompidas com o Fatah, que controla a Autoridade Palestina.

Lula se dispôs a tratar do tema no Irã, com Mahmoud Ahmadinejad, na sua visita a Teerã, em maio. Na quarta-feira, em Ramallah, o presidente da AP, Mahmoud Abbas, pediu a Lula que aborde a questão com o iraniano. O outro país relevante é a Síria, país tecnicamente em guerra com Israel, que exige a devolução das Colinas do Golan, ocupadas pelos israelenses em 1967.

"A nossa mensagem é que a Síria é importante para o processo de paz no Oriente Médio porque o Golan faz parte disso. Seria importante retomar conversas entre Síria e Israel para encaminhar bem a solução do conflito entre Israel e os palestinos", explicou Amorim.

Ao comentar a decisão de enviar o chanceler a Damasco, Lula indicou que o Brasil se beneficia com a ausência de diálogo com a Síria e o Irã e com a ineficácia da ONU. "Se EUA e a UE não conversam (com a Síria), nós vamos conversar. Se tiver de conversar com o Irã, vamos conversar."

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