Amorim visita Pisco e não descarta reforço de ajuda

Amanhã chega quarto avião, na maior operação de assistência humanitária do Brasil já realizada

Lima, O Estadao de S.Paulo

07 de agosto de 2020 | 00h00

O ministro de Relações Exteriores do Brasil, Celso Amorim, chegou ontem a Lima de onde partiu, imediatamente, para a devastada cidade de Pisco. "Não estava prevista a viagem a Pisco, mas aceitei um convite do chanceler peruano (José Antonio García Belaúnde) e pude acompanhar a chegada do terceiro avião brasileiro com a ajuda às vítimas", disse Amorim ao Estado, logo depois de aterrissar na Base Aérea de Callao, em Lima."Conversei com o presidente (peruano) Alan García por 45 ou 50 minutos e transmiti a ele a mensagem de apoio do presidente Luiz Inácio Lula da Silva", prosseguiu o ministro. "Ele agradeceu ao presidente Lula pelo empenho e disposição de ajudar os peruanos. Na conversa, transmiti o compromisso brasileiro de prestar assistência também na fase de reconstrução das áreas atingidas. Sabemos que a reconstrução deve criar demandas novas e vamos estudar a melhor forma de ajudar."Amorim sobrevoou Pisco e disse ter ficado impressionado com a destruição. "As ruínas da igreja (de San Clemente) da qual sobraram apenas as duas torres é uma imagem muito impressionante", afirmou.A visita de Amorim ao Peru estava agendada desde antes do terremoto. Ele participa hoje, como convidado especial, da abertura da 2ª Reunião do Fórum sobre a Iniciativa da Bacia do Pacífico Latino-Americano, em San Isidro, distrito de Lima. O chanceler brasileiro jantou ontem com seu colega peruano, com quem deve firmar acordos de cooperação técnica nas áreas de saúde e desenvolvimento social. O Hércules C-130 que pousou ontem em Pisco foi o terceiro avião brasileiro a chegar com ajuda ao Peru. O País já enviou 46 toneladas de alimentos - o suficiente para alimentar 10 mil pessoas por 15 dias. Segundo o ministro, trata-se da maior operação de ajuda internacional já realizada pelo governo brasileiro. O auxílio do Brasil incluirá também o envio de especialistas em identificação de cadáveres, além de cães farejadores, ambulâncias e geradores de energia.O presidente Lula havia ordenado no sábado a ampliação da ajuda às vítimas do Peru. Segundo Amorim, a ordem deu-se em razão da nova avaliação da necessidade da população afetada. Amanhã chega a Pisco um quarto avião brasileiro, com médicos, um hospital móvel e medicamentos capazes de prestar assistência a 35 mil pessoas em um mês.Os peruanos vêem o Brasil como uma potência econômica regional e, na sexta-feira, alguns dos desabrigados de Pisco chegaram a cobrar mais ajuda do País ao identificarem a reportagem do Estado na cidade. "Onde está Lula? Por que não nos ajuda?", indagavam.

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