Amorim volta a defender maior flexibilidade do Irã

Ao contrário da aparente irritação que demonstrou ao sair do encontro com a secretária de Estado dos Estados Unidos, Hillary Clinton, o ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, saiu muito bem humorado da reunião com o ministro de Relações Exteriores do Irã, Manouchehr Mottaki. Com a secretária de Estado, no início da tarde, a conversa durou menos de 20 minutos. Com o ministro iraniano, mais de uma hora. O ministro brasileiro veio a Nova York para participar da abertura da 8ª Conferência Mundial de Revisão do Tratado de Não-Proliferação Nuclear (TNP), na Organização das Nações Unidas.

LUCIANA XAVIER, CORRESPONDENTE, Agência Estado

03 Maio 2010 | 21h44

Amorim disse que, na conversa com Mottaki, voltou a falar sobre a necessidade de o Irã procurar ter "flexibilidade, sem excesso de pragmatismo e sem criar muitas pré-condições" em relação a um acordo onde o país dê à Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) mais detalhes sobre o desenvolvimento do programa nuclear iraniano. "O que procuramos é criar um clima para retomada de negociações", afirmou o ministro, que no entanto se recusa assumir que o Brasil tenha papel de mediador entre os dois países.

O ministro disse ainda que não avalia que houve uma radicalização nos discursos de Hillary Clinton e do presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, hoje, na Assembleia Geral da ONU. Ahmadinejad atacou de frente os Estados Unidos, criticou a ONU e garantiu que não está desenvolvendo armas nucleares.

Hillary, por sua vez, defendeu sanções automáticas aos países que violarem as normas do TNP, tendo mencionado depois que o Irã é o único país que tem violado o tratado. Ela também disse que o presidente iraniano repetiu em seu discurso de hoje as mesmas "acusações cansativas e falsas" contra os EUA.

Para Amorim, trata-se apenas de "retórica" dos dois lados. "Às vezes, numa conferência, todo mundo tem de fazer um discurso e tem de atender vários públicos, inclusive os internos", afirmou, acrescentando que a vinda do presidente iraniano mostra disposição do país em direção a um acordo. "Ele foi o único presidente a comparecer na conferência. Isso demonstra que o país não está fechado em si."

Amorim disse que a flexibilidade do Irã em busca de um acordo é necessária para que Brasil e Irã avancem numa cooperação bilateral em diversas áreas, como agricultura e infraestrutura. "Se houver um clima internacional muito ruim, isso torna mais difícil (a cooperação bilateral)", avaliou.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.