Ampliado prazo para assinatura de acordo de paz em Darfur

O governo e os grupos rebeldes do Sudão têm mais 48 horas para aprovar um acordo de paz para a região de Darfur. A extensão do prazo, inicialmente fixado para a meia-noite deste domingo, foi anunciada pouco depois do fim do prazo pelo chefe da equipe de mediação da União Africana, Salim Ahmed Salim. "Se nós nos retirarmos agora, sem um acordo de paz, o mundo não nos perdoará. Pararemos o relógio pelas próximas 48 horas para permitir mais conversas entre as parte", disse ele na sede das negociações, na capital da Nigéria, Abuja.A guerra de Darfur explodiu em fevereiro de 2003, quando os grupos rebeldes dessa região do oeste do Sudão pegaram em armas para protestar contra a pobreza e a marginalização da região, fronteiriça com o Chade. Desde então, cerca de 200.000 pessoas morreram e quase dois milhões foram forçados a abandonar seus lares e se alojar em campos de refugiados no Sudão e no Chade, o que desatou um dos piores desastre humanitário deste século.A União Africana tinha dado o prazo de 30 de abril para encerrar as conversas de paz que começaram há quase dois anos, e nos últimos dias apresentou uma minuta de acordo que tentava resumir as posições dos dois lados. O governo anunciou no domingo que aceitava assinar esse tratado, mas os grupos rebeldes rejeitaram."Não assinaremos o documento até que sejam aceitas as nossas reivindicações", declarou Saifaldin Haroun, porta-voz do maior dos dois grupos rebeldes, o Movimento de Libertação Sudanês (SLM, na sigla em inglês). "Estamos esperando que o governo do Sudão faça concessões", disse Ahmed Hussain, porta-voz do outro grupo, o Movimento para Justiça e a Igualdade (JEM).Um dos pontos exigidos pelos rebeldes é que um de seus representantes ocupe uma das vice-presidências do Sudão, algo a que o governo se opõe. A União Africana propôs que, ao invés de um vice-presidente, um representante de Darfur ocupe a posição de "assistente presidencial supremo". Também não há acordo sobre outros mecanismos para compartilhar o poder e os recursos da região.

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