Saul Loeb/AFP
Saul Loeb/AFP

Análise: A barganha do presidente com a Ucrânia é explícita 

Na ligação entre Trump e Zelenski, uma reunião entre eles foi mencionada, com Trump vagamente sugerindo que Zelenski só poderia escolher a data depois que prometesse abrir as investigações contra Biden

Philip Bump / The Washington Post, O Estado de S.Paulo

05 de outubro de 2019 | 00h00

O delator anônimo que colocou a presidência de  Donald Trump  sob risco relatou que o enviado especial dos Estados Unidos à Ucrânia, Kurt Volker, trabalhou com o embaixador americano na União Europeia, Gordon Sondland, para ajudar Rudy Giuliani, advogado pessoal do presidente, a pressionar o governo ucraniano a investigar o ex-vice-presidente Joe Biden.

Mensagens de texto sugerem que Volker e Sondland incentivaram uma ideia completamente sem pé nem cabeça: vincular a Ucrânia à invasão dos computadores do Comitê Nacional Democrata, em 2016, e pressionar por uma investigação de Biden e do trabalho que seu filho Hunter fez para uma empresa de energia chamada Burisma. A teoria de Trump é que Joe Biden queria que a Ucrânia demitisse seu procurador-geral para proteger Hunter e a Burisma – mas não há evidências de que isso tenha ocorrido.

Em 21 de julho, quatro dias antes de Trump e o presidente ucraniano, Volodimir Zelenski, terem conversado por telefone, Sondland trocou mensagens de texto com Bill Taylor, embaixador dos EUA na Ucrânia. Taylor deixou claro que Zelenski queria que “a Ucrânia fosse levada a sério” e não apenas servisse como “instrumento da reeleição de Trump”. Mais tarde, Zelenski receberia um convite para conhecer Trump em Washington.

Pouco antes da ligação, em 25 de julho, Volker mandou uma mensagem para Andrei Yermak, consultor de Zelenski, na qual Volker é explícito sobre o que seria necessário para obter a tal reunião. “Assumindo que o presidente Z convença Trump de que ele investigará, então definiremos a data da visita a Washington”, escreveu Volker.

Barganha mais explícita que isso, impossível. O que não está claro é com quem Volker falou na Casa Branca. Na ligação entre Trump e Zelenski, no final daquele dia, a reunião foi mencionada, com Trump vagamente sugerindo que Zelenski só poderia escolher a data depois que prometesse abrir as investigações. / TRADUÇÃO DE CLAUDIA BOZZO

*É JORNALISTA

 

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