Washington Post photo by Jabin Botsford.
Washington Post photo by Jabin Botsford.

ANÁLISE: A crise e os riscos de uma escalada militar

A crise na Síria está entrando em uma escalada militar – até agora, apenas das forças dos EUA

Roberto Godoy, O Estado de S.Paulo

11 Abril 2018 | 05h00

A crise na Síria está entrando em uma escalada militar – até agora, apenas das forças dos EUA. Na terça-feira, 10, o destróier lança-mísseis USS Donald Cook, o DDG-75, entrou na rota do Mediterrâneo e o porta-aviões nuclear Theodore Roosevelt, em exercício no Mar da China, deve deslocar suas 100 mil toneladas e 40 aviões de ataque para a mesma área.

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Até a noite de terça-feira, 10, essa informação ainda não havia sido confirmada pelo Pentágono. O destróier transporta 90 mísseis de cruzeiro Tomahawk, de alta precisão. É o início da ação punitiva prometida pelo presidente Donald Trump em represália ao ataque em Duma. 

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Formalmente, o estoque sírio de gases letais foi desmantelado em 2013, mas não há muitas dúvidas quanto à existência dessa classe de armas no arsenal clandestino do ditador Bashar Assad. O Comando Aeroestratégico criado há cerca de 40 anos por Hafez Assad, pai de Bashar, foi destinado pelo então presidente sírio para atuar como “o principal elemento de dissuasão” do país, assumidamente por meio de sistemas químicos.

Na época, a consultoria da milícia Baath, o braço militar do partido do governo, era feita por especialistas da União Soviética, russos e ucranianos principalmente, que viviam na cidade de Alepo, onde foi instalada uma fábrica para produzir gás mostarda, primeiro elemento usado. O complexo foi parcialmente destruído por um ataque em 2007. Morreram 15 oficiais sírios. Cerca de 50 técnicos iranianos e iraquianos ficaram feridos.

Com o fim da União Soviética, em dezembro de 1991, o primeiro projeto foi desacelerado e mais adiante interrompido, para ser retomado só dez anos depois, com a posse de Bashar. Em 2003, a organização do Comando Aeroestratégico passou a ser feita pelo general russo Anatoli Kuntsevich, assessor do presidente Vladimir Putin para assuntos de armas químicas e biológicas.

O oficial, considerado dissidente, responde a um longo processo iniciado em Moscou, em 2002, por contrabando de 600 quilos do agente multiplicador do gás VX2, incolor e inodoro, que destrói o sistema nervoso central. A substância provoca convulsões e paralisia respiratória. Em 2012, Assad comemorou a entrada em operação de mísseis e foguetes, lançados por aviões, capazes de receber ogivas carregadas com gases.

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