REUTERS/Kim Kyung-Hoon
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Análise: Afastamento desfaz força de sobrenome

Park Geun-hye ainda pode escapar se a Justiça decidir, mas seu sonho de ampliar o legado de seu pai já foi destroçado

Foster Klug / ASSOCIATED PRESS, O Estado de S.Paulo

10 Dezembro 2016 | 05h00

Park Geun-hye sempre contou com um trunfo em toda sua carreira política: ela desfrutava da devoção, alguns dizem adoração, que metade do país sentia por seu pai ditador, falecido. No final, acabou isolada, ridicularizada e detestada pelos milhões de manifestantes nas ruas.

Park ainda pode escapar se a Justiça decidir, contra o sentimento generalizado de grande parte do país, recolocá-la na presidência. Mas seu sonho de ampliar o legado de seu pai, Park Chung-hee, já foi destroçado.

É difícil imaginar ruína mais absoluta de uma mulher que os conservadores sempre admiraram como abnegada, uma mulher que sobreviveu a um atentado há uma década e venceu a discriminação de gênero para criar um gigante político.

Park Chung-hee reavivou o orgulho do país, afirmam seus partidários, resgatando milhões de cidadãos da pobreza com suas políticas de industrialização, numa época em que a Coreia do Sul era mais pobre que a do Norte e saía de décadas de colonialismo japonês e guerra total. 

A filha, depois de vencer seu oponente liberal na eleição presidencial de 2012, iniciou seu mandato de cinco anos como porta-estandarte do que deixou seu pai. Eram muito fortes as esperanças de que ela impulsionaria a economia e encontraria uma maneira de intimidar a beligerante Coreia do Norte.

A dimensão da queda dos Park, no entanto, já estava refletida nas pesquisas que mostravam a perda de popularidade da presidente, que mergulhou para 4%, a pior avaliação já recebida por algum líder na história democrática moderna da Coreia do Sul. / TRADUÇÃO DE TEREZINHA MARTINO

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