EFE/ Miguel Gutiérrez
EFE/ Miguel Gutiérrez

Análise: Apesar do desejo dos EUA, Brasil não quer liderar intervenção

O governo dos Estados Unidos adoraria ter o Brasil liderando uma coalizão internacional, entrando pela Venezuela e entronizando em Miraflores o líder oposicionista Juan Guaidó. Não vai dar.

Roberto Godoy, O Estado de S.Paulo

01 de maio de 2019 | 05h00

O governo dos Estados Unidos adoraria ter o Brasil liderando uma coalizão internacional, sob a bandeira da Organização dos Estados Americanos (OEA), entrando pela Venezuela e entronizando em Miraflores o líder oposicionista da VenezuelaJuan Guaidó. Não vai dar. O governo do presidente Jair Bolsonaro, “não pretende atravessar a rua para pisar nessa casca de banana”, de acordo com um dos seus assessores militares.

Na terça-feira, 30, o Palácio do Planalto procurava identificar os generais dissidentes que teriam aderido ao presidente autoproclamado. Muitos oficiais promovidos nos últimos dois anos comandam serviços burocráticos ou foram designados para diretorias de empresas estatais.

As providências mais substantivas em relação à crise já fazem parte da doutrina das Forças, e estão limitadas ao trabalho de impedir o uso do território e do espaço aéreo nacionais para as  operações de fogo decorrentes de uma eventual intervenção na rota de Caracas. Essa missão de preservação da soberania pode, sim, exigir uso da força.

Em Roraima há um bem montado complexo da Força Aérea (FAB) capaz de receber esquadrões de caça, cargueiros e jatos de inteligência. O Exército mantém no estado a 1ª Brigada de Infantaria de Selva e uma rede de times especializados distribuída ao longo da fronteira binacional de 2.199 km; uma longa sequência de rios amazônicos, selva e savanas.

O monitoramento é capaz de ser aumentado. Há dois dias desembarcou em Boa Vista um contingente de 450 militares de São Paulo – o grupo vai atuar por 90 dias na Operação Acolhida, que recebe e encaminha os refugiados que todos os dias cruzam a divisa entre os dois países. A tropa é combatente, integra o 4º Batalhão de Infantaria Leve (Bil), de Osasco.

Ao vivo: veja a cobertura da crise na Venezuela

As ofertas, todas, postas na mesa por John Bolton, assessor de segurança da Casa Branca, para o desfecho da inevitável saída de Nicolás Maduro da presidência da Venezuela, sempre consideram a possibilidade da intervenção armada. É provável, mas não é fácil.

O primeiro movimento, clássico, do Pentágono é tentar formar uma aliança regional à qual possa aderir fortemente – mas sem o desgaste político adicional de comandar o processo, ao menos formalmente. O efetivo de mobilização rápida inicial dos EUA envolve de 1,5 mil até 5 mil homens e mulheres deslocados com equipamentos para qualquer ponto do mundo.

Em quanto tempo? “Em poucas horas”, limita-se a informar o Departamento de Defesa, em Washington. Não é só. O efetivo no terreno precisa estar associado a um Grupo de Batalha liderado por um porta-aviões nuclear com 80 a 90 aeronaves a bordo.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.