Twitter/JuanGuaidó
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Análise: após primeiro sinal de apoio militar a Guaidó, há guerra civil no horizonte

Dúvida agora é se os militares que continuam apoiando Nicolás Maduro são articulados e têm poder para prender organizadores do movimento contra o chavismo

Roberto Godoy, O Estado de S.Paulo

30 de abril de 2019 | 10h52

O movimento militar que ocorre nesta terça-feira, 30, na Venezuela deixa clara a divisão existente nas Forças Armadas do país e é o primeiro sinal de que agora o líder opositor autoproclamado presidente venezuelano, Juan Guaidó, tem apoio de uma parte significativa dos militares. 

Mais cedo, Guaidó anunciou que conta com o apoio de um grupo de militares para restaurar a democracia e "acabar com a usurpação de poder" - como os antichavistas se referem ao governo de Nicolás Maduro -, em um vídeo gravado de uma base aérea de Caracas e publicado nas redes sociais. 

A dúvida agora é se os militares que continuam apoiando Maduro são suficientemente articulados, têm poder suficiente para sair e colocar os organizadores dessa movimentação na cadeia.

A Inteligência brasileira ainda avalia quem são os militares que apoiam Guaidó para entender a dimensão deste levante. Recentemente, Maduro nomeou diversos generais na Venezuela, mas são oficiais que não possuem tropas e, por isso, têm pouco poder de mobilização dos militares de menor patente. 

Um fato importante de ter em mente é que o número de militares dissidentes do chavismo que cruzam as fronteiras para Colômbia e Brasil tem aumentado. Segundo autoridades de imigração colombianas, cerca de 1.400 militares da Venezuela desertaram para a Colômbia neste ano. Na Colômbia, esses desertores são recebidos por colombianos e, também, americanos.

O Exército brasileiro disse que mais de 60 integrantes das Forças Armadas venezuelanas migraram para o Brasil desde que Maduro fechou a fronteira em 23 de fevereiro para frustrar um esforço da oposição para levar alimentos e remédios para o país. 

Milícias chavistas

De qualquer maneira, é preciso lembrar das milícias que ainda apoiam Maduro. Últimos levantamentos de grupos de Inteligência mostram que esse grupo também tem diminuído, mas ainda é representativo. Na época do ex-presidente Hugo Chávez, morto em 2013, as milícias chegaram a quase 1 milhão de integrantes. Agora, o número aproximado é de 200 mil milicianos. Se Guaidó assumir de fato o poder, terá que lidar, no mínimo, com uma guerrilha ativa.

Qualquer que seja o resultado do levante desta terça, com Maduro se mantendo no poder por mais tempo ou Guaidó assumindo de fato a presidência venezuelana, a situação caminha para uma guerra civil, cedo ou tarde.  

A posição brasileira continua a mesma do início da crise política venezuelana: não intervenção. O compromisso do País continua sendo preservar o território e o espaço aéreo nacionais. O que pode ocorrer agora é uma ordem de "desdobrar tropas", ou seja, levar mais soldados para a região de fronteira, estritamente para proteção. 

 

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