Calla Kessler/The New York Times
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Análise: Ataques em várias frentes com objetivo comum, a reeleição

Usando tanto seu poder na presidência quanto seu robusto fundo eleitoral, Trump estava se dirigindo a diferentes grupos, tentando deixar para trás o julgamento de impeachment que lançou uma sombra sobre a Casa Branca

Jonathan Lemire / AP, O Estado de S.Paulo

30 de janeiro de 2020 | 05h00

A revelação de um esperado plano de paz para o Oriente Médio. Uma calorosa defesa contra o impeachment no Senado. Um evento de campanha em New Jersey para conquistar eleitores e o apoio a um novo aliado republicano. O presidente Donald Trump teve uma terça-feira particularmente ocupada em várias frentes, mas com um objetivo comum: obter apoio para sua reeleição.

Usando tanto seu poder na presidência quanto seu robusto fundo eleitoral, Trump estava se dirigindo a diferentes grupos, tentando deixar para trás o julgamento de impeachment que lançou uma sombra sobre a Casa Branca.

“Não fui eleito para fazer pequenas coisas ou para me esconder de grandes problemas”, declarou Trump, na Casa Branca. Ele se referia ao seu novo plano de paz para o Oriente Médio, mas também estava dando voz a seu argumento fundamental para obter um segundo mandato.

Apresentar um plano de paz para o Oriente Médio é um grande evento para qualquer um na Casa Branca, apesar de a proposta de Trump ter sido recebida com ceticismo pelos palestinos. Mas o acordo de Trump vai além de como o plano vai funcionar na problemática região. Ele é também um esforço para cumprir sua promessa a seus apoiadores nos EUA. A forte posição de Trump pró-Israel lhe trouxe grande apoio de judeus e de evangélicos. 

Trump também pediu para a sua equipe de advogados que usasse os três dias para apresentar uma robusta defesa não apenas aos 100 senadores, mas também aos milhões que acompanham o processo pela TV. Apesar de ser garantida sua absolvição no Senado, de maioria republicana, sua equipe tenta reduzir os danos políticos. 

Jay Sekulow, um de seus advogados, usou seu tempo no Senado para apresentar uma lista com os principais ataques contra Trump – de ex-agentes do FBI a cortes federais – e destacar o que ele qualificou de uma manobra política dos democratas para depor o presidente. “Perigo, perigo, perigo”, ele disse aos senadores. “Isso é política. Vocês estão sendo chamados a destituir um presidente eleito dos Estados Unidos. É isso que esses artigos de impeachment pedem.”

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Enquanto os advogados de Trump argumentam que os democratas estão tentando passar por cima do resultado das últimas eleições, o foco do presidente na noite de ontem foi a próxima votação. Trump viajou para o reduto democrata do Estado de New Jersey para participar da campanha do deputado Jeff Van Drew, que recentemente deixou as fileiras da oposição e se tornou republicano.

Van Drew prometeu seu “eterno apoio” a Trump, que celebrou a deserção como um sinal de divisão no Partido Democrata, em razão do impeachment, e esperava usar o evento para pintar o julgamento no Senado como um procedimento puramente partidário, de acordo com assessores. 

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