Análise: Autorização para atacar a Síria divide Partido Republicano

A votação no Congresso sobre o ataque à Síria permitirá saber qual das alas do Partido Republicano - os falcões ou o crescente bloco não intervencionista - está em vantagem nos debates sobre política externa. As fraturas no lado republicano em matéria de segurança nacional ficaram mais patentes na questão do uso de drones, na ajuda ao Egito e na espionagem da Agência de Segurança Nacional. As tensões ficaram expostas durante as batalhas entre os senadores John McCain e Rand Paul.

Jonathan Martin , O Estado de S.Paulo / The New York Times

05 Setembro 2013 | 02h12

McCain chamou Paul e seu grupo de "malucos". Paul sugeriu que falcões como McCain eram "repugnantes". McCain foi o candidato republicano à presidência e Paul é um possível competidor em 2016. Hoje, eles são os principais porta-vozes das respectivas alas do partido.

McCain defende há a intervenção. Depois de se reunir com o presidente Barack Obama, na segunda-feira, ele disse que será "catastrófico" se o Congresso não aprovar a intervenção militar. Paul é contra e montará um lobby ao lado daqueles que acham um risco o envolvimento dos EUA em mais uma guerra.

Mas, mesmo os republicanos que não gostam de Paul reconhecem que o país está cansado de guerras e há uma profunda falta de confiança em Obama. Paul sabe que a votação é a chance de imprimir um novo rumo ao centro republicano em matéria de política externa.

O debate lhe dá a chance de se restabelecer como a voz do Tea Party. Para os republicanos preocupados com as eleições de meio de mandato, no próximo ano, a batalha é uma manobra diversionista. Eles prefeririam que o foco se mantivesse em questões como impostos, gastos e a reforma do sistema de saúde. No entanto, a decisão sobre a Síria tem também implicações para as eleições presidenciais de 2016.

Os futuros candidatos serão obrigados a escolher entre o desejo dos ativistas do Tea Party, que se opõem a um ataque, e o dos republicanos tradicionais, em cujas fileiras se incluem alguns dos principais doadores e financiadores de Israel, com os quais os candidatos costumam se alinhar. Como os falcões sabem, o "sim" para a ação na Síria colocará os possíveis rivais de Paul, como o senador Marco Rubio, do mesmo lado de Obama. Para o estrategista Dan Senor, Paul está em posição confortável. "Ele é um político habilidoso e saberá explorar esses sentimentos", disse.

TRADUÇÃO DE ANNA CAPOVILLA

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