Jon Nazca/Reuters
Jon Nazca/Reuters

Análise: Caso do ex-chefe da Pemex revive guerra de vazamentos

Emilio Lozoya, extraditado em julho, tenta obter um acordo, o que provocou um terremoto político que envolve os ex-presidentes Peña Nieto, Felipe Calderón e Carlos Salinas de Gortari, além de ex-ministros, governadores e congressistas

Eduard Ribas Admetlla, EFE

22 de agosto de 2020 | 03h30

Como se fosse um déjà vu, vídeos de políticos distribuindo malas de dinheiro voltaram às primeiras páginas dos jornais do México, onde governo e oposição abriram uma guerra de vazamentos em meio à investigação sobre as propinas da Odebrecht

O último episódio é um vídeo que mostra Pío López Obrador, irmão do presidente, Andrés Manuel López Obrador (AMLO), recebendo suborno de David León, funcionário do governo, em um restaurante, em 2015.

O presidente garantiu que os recursos recebidos pelo irmão foram “contribuições” voluntárias para a campanha eleitoral de seu partido em Chiapas. O presidente, que assumiu em 2018, após décadas denunciando a corrupção no México, não tem dúvidas de este caso é “diferente” do esquema de suborno da Odebrecht durante o governo de Enrique Peña Nieto. Mesmo assim, concordou com uma investigação para apurar a origem do dinheiro, além de suspender a nomeação de David León como chefe da estatal de 

medicamentos. 

Não foi coincidência o vídeo do irmão do presidente ter aparecido na mesma semana de outro, gravado em 2013, que mostra a entrega de dinheiro a um assessor do então senador Francisco Domínguez, atual governador de Querétaro, do opositor Partido da Ação Nacional (PAN). O dinheiro está ligado ao caso Odebrecht, pois o ex-diretor da Pemex Emilio Lozoya revelou que o governo de Peña Nieto, do Partido Revolucionário Institucional (PRI), distribuiu propina a parlamentares do PAN para que aprovassem, em 2013, a reforma do setor energético. 

López Obrador não tem dúvidas de que o vídeo de seu irmão seria uma retaliação: “É uma reação normal e legítima daqueles cujos interesses estão sendo afetados pela decisão de acabar com a corrupção no país”, disse o presidente mexicano. 

Lozoya, extraditado em julho, tenta obter um acordo de delação, o que provocou um terremoto político que envolve os ex-presidentes Peña Nieto, Felipe Calderón e Carlos Salinas de Gortari, além de ex-ministros, governadores e congressistas. Calderón, rival de AMLO, acusa o presidente de usar Lozoya como “um instrumento de vingança e perseguição política”.

A vingança por meio de vídeos que revelam malas de dinheiro não é novidade no México – e AMLO sabe disso. Em 2004, quando era prefeito da capital e pensava em concorrer à presidência, em 2006, foi vítima de vídeos, divulgados pela imprensa, que mostravam dois colaboradores recebendo dinheiro do empresário Carlos Ahumada. AMLO disse que era complô. 

Ahumada foi detido em Cuba e revelou que vários rivais políticos de López Obrador estavam por trás do escândalo. Entre eles, Rosario Robles, ministro de Peña Nieto, preso por corrupção nos primeiros anos do mandato de López Obrador. 

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