Doug Mills/NYT
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Análise: Caso Hunter reflete o pânico instalado na campanha republicana

Trump esperava que uma investigação no Senado manchasse a reputação de Biden, mas escândalo parece fadado ao fracasso

Greg Sargent*, The Washington Post

21 de outubro de 2020 | 03h00

Donald Trump vem pressionando o secretário de Justiça, William Barr, a lançar uma investigação sobre um novo pseudoescândalo envolvendo Joe Biden e o laptop de seu filho Hunter. “Temos de fazer o secretário de Justiça agir. E ele tem de agir rápido”, disse o presidente à Fox News. “Isso deve ser resolvido antes da eleição.” 

Aí está. Trump implorando para que Barr salve sua reeleição em rede nacional. Há anos, o presidente vem tentando forjar narrativas de corrupção por parte de Biden. Nunca deu certo. Este último escândalo fabricado parece também fadado ao fracasso. A origem seria um e-mail no disco rígido de um laptop que Hunter Biden teria deixado em uma assistência técnica. A mensagem diz que ele marcou um encontro entre seu pai, então vice-presidente, e um funcionário da Burisma, empresa ucraniana de energia que pagava para ter Hunter no conselho de acionistas. Mas a autenticidade do e-mail e a veracidade da existência do laptop são um mistério. A fonte original da história é o advogado de Trump, Rudy Giuliani, que teria dado o disco rígido ao New York Post

Vários meios de comunicação informaram que o FBI investiga se o material está ligado a um esforço de desinformação russo. Oficiais de inteligência já haviam alertado que Giuliani é um canal para essas operações. A campanha de Biden garante que o encontro nunca ocorreu. 

A pressão de Trump para que Barr designe um promotor especial para o caso também é absurda, já que Hunter é um cidadão comum. Mas podemos presumir que o presidente apenas deseje que Barr anuncie algum tipo de investigação – assim como ele tentou forçar o presidente ucraniano a fazer – para criar uma aura de corrupção sobre Biden. 

Trump esperava que uma investigação conduzida pelos republicanos no Senado manchasse a reputação de Biden. Mas o relatório final apenas confirmou o que já se sabia: Biden ajudou a derrubar um promotor ucraniano corrupto, seguindo uma diretriz apoiada por instituições internacionais que nada tinha a ver com a Burisma.

Trump se irritou. Na segunda-feira, ele descarregou a raiva em um repórter da Reuters, Jeff Mason, que foi chamado pelo presidente de “criminoso” pelo simples fato de não repercutir a história de Hunter Biden. O jogo aqui é usar esse falso escândalo para convencer os eleitores de que Trump está na ofensiva, que ele finalmente conseguiu colocar Biden onde ele sempre quis e, assim, evitar falar sobre os problemas que tocam o país e sua campanha. Mas, embora uma vitória de Trump ainda seja possível, a estratégia de usar o caso de Hunter Biden sinaliza pânico, mais do que qualquer outra coisa.

* É COLUNISTA E ESCREVE SOBRE POLÍTICA AMERICANA NO 'WASHINGTON POST'

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