Vadim Ghirda/AP
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Análise: Centristas devem buscar apoio nas extremidades da UE

Pela primeira vez, os partidos centristas não poderão comandar o bloco sozinhos

Michael Birnbaum, Griff Witte, Chico Harlan e James McAuley* / The Washington Post, O Estado de S.Paulo

27 de maio de 2019 | 05h00

Os europeus deram um duro golpe nos políticos do continente, impulsionando partidos alternativos à esquerda e à direita no Parlamento Europeu. Nos últimos dias, os europeus saíram aos montes para votar – a maior participação em 20 anos – para punir os partidos tradicionais que comandaram a União Europeia desde sua fundação. Mas, embora a extrema direita tenha obtido o seu melhor resultado, a onda anti-imigração não parece ter sido tão contundente quanto as pesquisas haviam previsto, já que os verdes e outros grupos de esquerda pró-União Europeia também registraram fortes ganhos.

Nos cinco anos, desde a última eleição europeia, o continente passou por muita coisa. A Europa foi abalada por repetidos ataques terroristas, passou por uma grave crise de refugiados, enfrentou a decisão do Reino Unido de se separar do bloco e ainda tenta superar uma persistente crise financeira. Para piorar, agora, os inimigos do establishment estarão em uma melhor para tentar transformar a União Europeia de dentro para fora.

Dos líderes italianos, que querem erguer novas barreiras contra imigrantes, aos governantes húngaros e poloneses, que questionam os principais valores europeus, entre eles a independência do Judiciário, espera-se que a nova direita recentemente ampliada aumente seu poder dentro do Parlamento Europeu, mesmo que as forças pró-Europa ainda sejam maioria. 

No entanto, pela primeira vez, os partidos centristas não poderão comandar o bloco sozinhos e terão de buscar apoio de eurodeputados com visões menos ortodoxas a respeito de como administrar a União Europeia.

*SÃO JORNALISTAS

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