Doug Mills/The New York Times
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Análise: Cerimônia de Trump sem o Philadelphia Eagles teve mais circunstância do que pompa

Evento no jardim da Casa Branca se transformou em celebração da bandeira americana depois de o presidente desconvidar os atletas do time vencedor da NFL na noite de segunda-feira; decisão abrupta reflete estilo de Trump desde que chegou à Casa Branca

Ashley Parker / The Washington Post , O Estado de S.Paulo

06 Junho 2018 | 10h02

WASHINGTON - A festa foi maior - e certamente mais sóbria - do que a maioria das festas do Super Bowl. Havia a Banda Marinha e o Coro do Exército dos Estados Unidos. Havia jarros de chá gelado e limonada. E lá estava o presidente americano, Donald Trump, apertando as mãos durante uma marcha de John Philip Sousa. O que faltou foi o futebol americano - ou pelo menos os jogadores campeões da NFL.

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Os cerca de cinco minutos de comentários de Trump na terça-feira no Gramado Sul da Casa Branca em homenagem ao Philadelphia Eagles não teve sequer uma menção direta aos atuais campeões do Super Bowl, mas pareciam determinados a responder algumas perguntas: uma festa pode ser considerada uma festa se os convidados de honra não estão nela? Ou se o anfitrião - neste caso, o próprio presidente dos EUA - abruptamente os desconvidou?

A resposta, aparentemente, é "mais ou menos" - já que o encontro teve mais circunstância do que pompa. "Foi muito chato", disse John DeFinnis, de 75 anos, dentista e torcedor do Eagles que foi de Berwick, na Pensilvânia, até a Casa Branca especialmente para o evento, ao compara a recepção com uma festa tradicional do pelo título do Super Bowl. "Não chegou nem perto."

A plateia de fãs dos Eagles parecia ter saído de um prédio de executivos, com seu "mar de blazers" cinzas e azuis e vestidos sensatos, com pouquíssimas pessoas exibindo camisetas, bonés ou outros adereços dos Eagles.

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Ainda assim, todos fizeram uma nobre tentativa ao gritarem o emblemático canto de guerra da equipe: "Fly-Eagles-Fly". Trump só acompanhou o Coro do Exército durante a execução de "God Bless America".

Ou seja, a planejada celebração pelo título dos Eagles não foi, de fato, uma festa sobre a equipe e nem mesmo sobre o futebol americano. Em vez disso, Trump - que há muito tempo usa o protesto de alguns jogadores durante o hino nacional como uma questão cultural galvanizadora com sua base - transformou as festividades em mais uma disputa política.

Casa Branca

Depois que Trump desconvidou na noite de segunda-feira toda a equipe dos Eagles para a festividade, coube a porta-voz da Casa Branca, Sarah Huckabee Sanders, tentar explicar a decisão do presidente de politizar uma cerimônia que normalmente é apolítica.

Sarah alegou que os Eagles informaram na quinta-feira que enviariam 81 pessoas ao evento, mas no dia seguinte teriam tentado reagendar a cerimônia para uma data em que Trump estaria em uma viagem fora de Washington.

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"Apesar de sentir a falta de boa fé" da equipe, a Casa Branca continuou a trabalhar para recebê-los na data inicial, disse Sarah, explicando que após isso os Eagles mudaram seus planos e disseram que "apenas alguns poucos representantes poderiam ir ao evento".

"Em outras palavras, a grande maioria do time decidiu abandonar seus fãs", escreveu a porta-voz na nota distribuída antes do evento. ""Ao saber desses fatos, o presidente decidiu mudar o evento para que fosse uma celebração da bandeira americana com os fãs dos Eagles e apresentações da Banda Marinha e o Coro do Exército dos Estados Unidos."

A mudança é um bom reflexo do comportamento de Trump desde que assumiu a presidência, em janeiro de 2017, que parte da premissa de que o presidente sempre toma a iniciativa de se livrar de situações que podem se tornar constrangedoras ao primeiro sinal de problemas. 

Foi exatamente a mesma abordagem adotada por ele no mês passado, quando anunciou que não participaria da planejada cúpula com o líder da Coreia do Norte, Kim Jong-un, depois de Pyongyang fazer uma série de críticas a membros do governo americano.

"É como aquele momento embaraçoso em que ninguém quer ir à festa de aniversário do seu filho que, envergonhado, diz que nem queria mesmo ter uma festa, mas exige uma celebração só para ele e, depois, reclama o dia todo de estar sozinho", ironizou o Rogue POTUS Staff, uma conta no Twitter que se intitula a "equipe de resistência não oficial" dentro da Casa Branca. "Mas, neste caso, seu filho é o presidente dos Estados Unidos."

Ainda assim, parecia haver pouco ressentimento na multidão moderada. DeFinnis chamou o dia de "muito decepcionante" sem os campeões do Super Bowl, mas disse que ele era fã de Trump e dos Eagles. "Não estou especialmente feliz com seu estilo, mas eu gosto de seus princípios", afirmou, sobre o presidente.

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