Roman Pilipey/Pool/EFE/EPA
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Análise: China aproveita distração causada pela pandemia

País adotou, nas semanas mais recentes, uma série de medidas agressivas para demonstrar seu poderio econômico, diplomático e militar em toda a Ásia

Steven Lee Myers, The New York Times

25 de maio de 2020 | 03h00

A guarda costeira da China afundou um pesqueiro em águas disputadas perto do Vietnã, e seus navios investiram contra uma plataforma oceânica de petróleo operada pela Malásia. Pequim denunciou a segunda posse da presidente de Taiwan, Tsai Ing-wen, e fez questão de excluir a palavra “pacífica” do seu apelo anual por unificação com a ilha. Soldados chineses voltaram a se envolver em um impasse com as forças da Índia na disputada fronteira do Himalaia.

Em todos os casos, trata-se de tensões antigas, mas a decisão de impor nova lei de segurança nacional a Hong Kong, burlando o processo legislativo do território semiautônomo, mostra o que pode ocorrer com uma China livre de obstáculos e do medo da reação internacional. O Reino Unido, signatário do tratado de 1984 que prometia a Hong Kong – sua ex-colônia – liberdades básicas até 2047, emitiu um pronunciamento com a Austrália e o Canadá, dizendo-se “profundamente preocupado”. O alto escalão do governo Trump também denunciou a jogada de Xi, alertando que os privilégios comerciais do território podem ser revistos.

Ainda que o presidente Xi Jinping use a legislação em vez da força militar para subjugar um território já sob governo chinês, trata-se de um jogada ousada por parte de um líder autocrático. Mas os desafios enfrentados por Xi ocorrem em um momento em que os principais rivais da China, sobretudo os EUA, se encontram em situação caótica, dando a Xi mais espaço de manobra. / TRADUÇÃO DE AUGUSTO CALIL

 

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