EFE/Ernesto Mastrascusa
EFE/Ernesto Mastrascusa

Análise: Com medidas, Trump causa prejuízo a empresas rivais

Sua intenção de proibir certas transações financeiras entre americanos e militares da ilha restringirá negócios na indústria hoteleira

O Estado de S.Paulo

17 de junho de 2017 | 05h00

Ao modificar políticas de Barack Obama que permitiam maiores investimentos privados em Cuba, o presidente Donald Trump pode estar medindo o poder de seu governo, como outros fizeram em Washington, ao alterar medidas com relação à ilha comunista.

Mas, como proprietário de uma companhia com um grande número de hotéis e resorts, Trump acrescentou um elemento a uma questão que é única em sua presidência – a oportunidade, por meio de medidas presidenciais, de minar o crescimento de uma área para seus rivais, que nos últimos anos correram para se estabelecer em um lucrativo e novo mercado.

A Starwood Hotéis e Resorts, que se juntou ao Marriott Internacional para formar a maior rede de hotéis do mundo, debutou em Cuba no ano passado com o primeiro hotel cubano administrado por uma empresa americana em quase 60 anos, aproveitando a oportunidade criada em 2014 com a decisão de Obama de normalizar as relações com a ilha e amenizar medidas do embargo.

Trump anunciou ontem em Miami sua intenção de proibir certas transações financeiras entre empresários americanos e os militares cubanos, que controlam a maioria das companhias de Cuba e uma significativa parcela do setor de turismo e hotelaria.

A medida poderá afetar os esforços da indústria hoteleira dos EUA, que esperava usar o acordo da Starwood como modelo para pressionar o Congresso a levantar o embargo americano a Cuba completamente. 

O caso traz à lembrança os dois papéis de Trump, o público e o privado, como resultado de sua decisão de não se livrar de uma parte considerável de sua companhia ao assumir a presidência. Como um empresário cujas propriedades incluem resorts e hotéis luxuosos da Flórida a Dubai, Trump indicou no passado seu interesse sobre oportunidades em Cuba. Ele disse à CNN que gostaria de abrir um hotel na ilha “no momento certo, quando recebesse autorização para isso”.

Como parte de seu compromisso de ética, a companhia de Trump prometeu não buscar nenhum novo acordo no exterior durante sua presidência, tornando um investimento em Cuba fora de questão agora. Segundo um especialista, a medida presidencial restringindo os esforços da Starwood ou de outras redes de hotéis poderia, de fato, neutralizar a oportunidade de seus rivais de conquistar uma vantagem.

A indústria turística cresceu em Cuba desde que Obama reduziu as regras, já que os americanos gastam muito em viagens de férias e estão sempre interessados em explorar um novo paraíso tropical, famoso por seu rum e seus charutos. Cerca de 4 milhões de visitantes entraram em Cuba no ano passado, entre eles 614 mil americanos e cubano-americanos, uma aumento de 34% em relação a 2015.

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